E se te dissesse que por meia hora, podes ser um construtor civil e desenhares a tua própria cidade? E se não for só uma cidade, mas sim várias? Uma oportunidade de sonho? Talvez. Infelizmente só não serás é tão bem remunerado! My City Roll & Write trata-se mesmo de tudo isto. Um jogo de tabuleiro tão simples em que como o seu próprio nome indica: é rolar e “desenhar”. Sozinho ou com amigos – até 6 jogadores – prepara-te para construires cidades cheias de edifícios, sem deixar um mísero metro quadrado de fora, numa intensa e recompensadora luta por pontos. Soa-te bem? Continua a ler!

Publicado pela Devir em Portugal, My City Roll & Write surge como uma adaptação mais portátil para o jogo de tabuleiro de 2020, My City, que na altura em plena pandemia, fez furor entre as famílias. Desenhada por Reiner Knizia e ilustrada por Michael Menzel, a premiada fórmula de My City é agora reinventada de uma forma mais simples para que possas levá-la contigo para qualquer lado.

Com um conceito simples, de rolar e desenhar, é bastante fácil metermos todas as gerações a jogar à volta da mesa. O desafio aqui, prende-se apenas pela tua criatividade e gestão de espaço disponível para, como que numa partida de Tetris, tenhas de encaixar as formas que saem nos dados na grelha de terreno disponível. Essas formas, são os edifícios que tens de construir, pelo que a cada ronda um novo jogador começa por lançar os dados e todos têm de encaixar o resultado obtido.

Mas calma, para dificultar um pouco a partida, e porque a cabeça de um bom construtor não serve só para usar o capacete, temos de puxar pela massa cinzenta – e não, não me refiro ao cimento – para construirmos a nossa cidade de forma a contabilizarmos a maior pontuação possível. Para tal temos de seguir um PDM que nos diz que podemos construir em todo o lado – que sonho! – excepto sobre o rio. Como sempre, parece que as áreas com arvoredo têm preferência por manterem-se assim, sendo que és recompensado – novamente que sonho! – por cada árvore que deixares em pé no final de cada partida. Já tudo o que é pedra é para partir, e és penalizado por cada calhau que deixares intacto na cidade. Mas atenção: não podes construir nada que não fique adjacente a edifícios já construídos! E então? Já estás a colocar essa cabeça a trabalhar?

Se vires que algum edifício é muito arriscado de se construir, ou não conseguires de todo encaixá-lo no espaço que ainda tens disponível no terreno, podes sempre passar o turno. No entanto, ser-te-ão retirados pontos consoante o número de turnos passados, sendo que no máximo podes passar até 6 vezes o turno, e devo dizer que qualquer penalização destas faz mossa na pontuação final. De facto, no início é muito mais fácil perder pontos do que propriamente os ganhar.

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As árvores são escassas; por isso, são poucos os pontos que contabilizas. Calhas a tapar uma, já estás a cortar no rendimento da partida. Já quaisquer espaços vazios, pedras, vezes que passes o turno, vão te roubar pontuação, no entanto isto é apenas no início do jogo. Pela frente tens 4 capítulos de jogo divididos em 3 cenários por cada onde terás a tua cidade para construires do zero e contabilizar os feitos em cada um. Conforme progrides, novas regras entram em jogo, e cada tipologia de edifício passa a valer pontos, assim como missões que consigas completar. Digo missões porque cercar um bandido não é propriamente fácil – daí que este trabalho caiba aqui aos construtores civis e não à polícia – bem como erguer igrejas, construções sobre minas de ouro ou facilitar o acesso da população a água potável. O esquema já começa a complicar, mas a curva de dificuldade é muito bem-vinda para nos criar desafio num jogo que é bastante relaxante. Além disto, sei que poderia ser caótico, mas gostaria verdadeiramente de ver um cenário onde todas estas construções entrassem em jogo, sendo que em cada cenário apenas algumas figuram e dado que em nenhum temos poços, minas, ladrões, etc… num só cenário.

Mas falemos agora de My City Roll & Write em termos de qualidade dos componentes deste jogo: 2 manuais (um em português e outro em espanhol), 3 dados e 1 bloco de folhas para ser desenhado. Em termos deste último, devo dizer que a gramagem e qualidade do papel impressiona. É bom ver que não se pouparam na qualidade deste bloco que é no fundo a peça principal do jogo. Sendo nós também um pouco tio-patinhas com estas coisas, vamos aqui fazer umas contas, até porque a abordagem do desenho em papel traz-nos 2 preocupações: em primeiro lugar a rejogabilidade sendo que se estragarmos estes papeis, acabou-se o jogo; e a pegada ecológica do mesmo. Ora com uma gramagem deste peso conseguimos perfeitamente apagar e reutilizar as folhas pelo menos umas 5 vezes, e dado que temos frente e verso igual em cada página, temos garantia de cada folha render 10 jogadas no mínimo. Sendo que o bloco contem as plantas para todos os 12 cenários da campanha, com 4 cópias de cada cenário, estamos então perante um potencial mínimo de 480 jogadas… Nada mau para um jogo desta natureza! No entanto, podes sempre tirar uns scans e não utilizar o bloco de todo, para garantires que tens uma rejogabilidade infinita.

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Uma opinião não tão positiva foi o que senti em relação as dados, que feitos de plástico e bastante leves, dão um toque barato ao conjunto do jogo. Sinto que poderiam muito bem ser feitos de resina para durarem um pouco mais e não se perderem tão facilmente. Percebo por um lado que possa ter sido uma decisão estratégica para encurtar no budget ou para tornar o jogo mais prático para crianças, mas nesta questão não há muito como falhar. Há sempre a escolha segura dos dados de resina que pode ser tomada, e nunca ficam abaixo das expectativas, para além de não contribuirem para a produção de plástico.

Olhando agora para os manuais, a fonte modesta utilizada não esconde a excelente tradução da Devir, bem como o trabalho de Reiner Knizia em fazer-nos chegar em apenas 12 páginas, uma estrutura concisa que podemos acompanhar ao longo da campanha. Cada cenário é explicado em pormenor, pelo que podes e aconselho mesmo a teres o manual ao teu lado enquanto jogas, só para ires passando os olhos pelas novas regras que cada nova etapa da campanha te apresenta.

Ainda em termos de componentes deste jogo de tabuleiro, sinto a necessidade de referir que My City Roll & Write bem que poderia vir acompanhado de uns lápis ao estilo IKEA, feitos de material reciclado para serem mais baratos para a marca de distribuir. No entanto, se te encontrares de viagem ou quiseres comprar e jogar imediatamente o jogo, vais ter de procurar arranjar algures, lápis para todos os jogadores, o que pode ser difícil.

Em termos ilustrativos, My City Roll & Write segue a mesma identidade visual pincelada por Michael Menzel em My City. Com traço fino e algum detalhe, os cenários são povoados por objectos que vivem de um toque de aguarela. Já em termos de iconografia, simplicidade é a palavra-chave, pois ao longo do manual somos alertados com recurso à mesma mas sem muita disrupção na leitura para mensagens/ideias importantes de retermos.

My City Roll & Write já está disponível em Portugal através da Devir.

Agradecemos à editora a cedência do jogo para análise.

CONCLUSÃO
Relaxante.
7
Joana Sousa
Apaixonada pelo mundo do cinema e dos videojogos. A ficção agarrou-me e não me largou mais! A vida levou-me pelo caminho da Pós-Produção, do Marketing e da organização de Eventos de cultura pop, mas o meu tempo livre, dedico-o a ti e à Squared Potato.
my-city-roll-and-write-analiseMy City Roll & Write é um jogo de tabuleiro relaxante que podes levar contigo para qualquer lado e reunir à mesa diversas gerações de jogadores que ambicionam pontuar com as suas criações. Desenvolve as tuas cidades e agarra os céus!