Baseado no livro do mesmo nome, escrito por Julian Whelan, O Meu Ano em Oxford (My Oxford Year) estreou recentemente na Netflix com Sofia Carson e Corey Mylchreest nos papéis principais, e já despertou alguma controvérsia pela sua história ousada mas tocante.
Entrei neste filme sem sequer ter visto o trailer na integridade; apenas sabia que se tratava de um romance entre uma aluna da universidade de Oxford e o seu professor (um tema já de si controverso), mas tudo o resto que se iria passar era uma incógnita.
Na minha opinião, é a melhor forma de ver O Meu Ano em Oxford para teres a melhor experiência. Mas, caso queiras mesmo, fica aqui:
O Romance
Muito honestamente, a relação amorosa entre os dois personagens soou-me algo insípida e sem grande substância.
O primeiro contacto que Anna e Jamie têm não é dos mais afáveis e poderia ter sido o perfeito início para um enemies to lovers.
Infelizmente, de inimigos a relação deles teve muito pouco (talvez os primeiros 20 minutos?) e nunca de forma séria o suficiente para dar aquela antecipação ao espectador.

Gostaria de ter visto mais tensão, mais banter, mais substância. A resolução entre eles deu-se demasiado cedo e demasiado depressa, o que percebo ter sido necessário para cimentar a sua relação antes de seguirmos para a segunda parte do enredo, que se deu exatamente a meio do filme…
Se isso não tivesse acontecido, em vez de quase duas horas, teríamos tido bastante mais e não sei se valeria a pena tal investimento numa produção destas.

Também não li a obra original, pelo que não sei se seguiram a história fielmente ou se apressaram as coisas em alguma ocasião. Mas, na minha opinião, um pouco mais de exposição não tinha feito mal.
O Elenco
Não sei se isto também se deveu ao facto de Sofia Carson me dar constantemente a impressão de estar perante uma boneca de vidro ou IA e não de uma pessoa real.
As expressões faciais dela são contidas e o seu leque diminuto, o sorriso plástico e afetado, o olhar que parece desprovido de alma, e até o cabelo sempre estilizado na perfeição acaba por influenciar a sua performance em cada cena.

Em vez de se entregar ao papel que está a representar, simplesmente parece demasiado preocupada em aparecer sem um único defeito em frente à câmara, um comportamento que poderá ser fruto da sua carreira com a Disney Channel? Quem sabe.
É uma pena, porque sei que tem imenso potencial e poderia ir bem longe se apenas se libertasse dessa tensão constante. Já vi outras actuações dela (Contingência ao Amor, Feel the Beat, Bagagem de Risco) e, infelizmente, essa sensação sempre me perseguiu.

Já com Corey Mylchreest não tenho nada a dizer: abraçou o seu personagem na perfeição, demonstrando toda a vulnerabilidade e humanidade possíveis, ao mesmo tempo que personificava um suposto playboy inglês sem escrúpulos.
Conhecia-o apenas de Rainha Carlota, onde achei que ele fez um trabalho excelente, pelo que talvez possa ser biased nesse aspecto. Mas com uma carreira muito mais curta do que Carson, e papéis muito menos relevantes, não era de esperar que impressionasse menos?

O seu charme e carisma roubaram qualquer cena em que estivesse, mas nem isso conseguiu criar química entre eles, e tudo o resto serviu para demonstrar o quão díspares foram as suas actuações.
Adicionalmente, temos Dougray Scott, Catherine McCormack, Harry Trevaldwyn, Esmé Kingdom e Poppy Gilbert nos papéis secundários, os quais achei terem tido prestações bastante naturais e credíveis.

As Personagens
Outra decisão que eu acho ter beneficiado mais Mylchreest do que Carson foi o facto de termos muito mais camadas para descortinar da parte de Jamie do que da parte de Anna. Ela trata-se de um quase estereótipo da rapariga que adora livros e conhecimento e… É só isso.

Nunca temos um vislumbre de nada mais profundo da sua parte, ao passo que com Jamie somos apresentados (aos poucos) a toda a sua vida e realidade, percebendo de onde vem a sua personalidade e a sua postura, conhecendo a sua família e amigos, e vemos isto acontecer através dos olhos de Anna durante toda essa viagem.

Com Anna, senti que ela era mais um arquétipo do que alguém com que me pudesse relacionar, e isso é dizer bastante porque partilho dos mesmos hobbies que ela e até de alguns traços de personalidade… Tinha tido para dar certo.
Mas talvez isso tenha sido uma decisão consciente dos escritores para que qualquer mulher que assistisse a O Meu Ano em Oxford se pudesse colocar nos pés da personagem principal? (Estou a olhar para ti, Crepúsculo).

Não sei, comigo não resultou; nem mesmo depois de ter mencionado um dos meus livros preferidos de sempre.
A História
Em termos do enredo em si, o que eu pensava ser apenas um divertido e romântico filme sobre duas pessoas que se encontram, se apaixonam e vivem um romance algo proibido e intenso, surpreendeu-me pela reviravolta que teve mais ou menos a meio.

Talvez aqueles que tenham visto o trailer já saibam do que estou a falar, por isso mesmo aconselho vivamente a entrarem no filme às cegas para descobrirem por vocês e terem essa surpresa em antecipação. Penso que valha a pena.
Não que seja uma daquelas revelações chocantes ou nunca antes feita mas, pelo menos para mim, fez com que o O Meu Ano em Oxford passasse de mais um filme de sábado à tarde para algo mais interessante.

O tema inicial que me tinha chamado a atenção (a relação proibida) não me satisfez de todo (ninguém quis saber que ela andasse a sair com o professor dela), e o segundo tema (enemies to lovers) ainda menos, pelo que tive de me agarrar a alguma coisa!
O Melhor e o Pior

De qualquer forma, tenho a dizer que tinha uma ideia completamente errada de O Meu Ano em Oxford. Pensava que ia ser uma coisa e acabou por ser outra.
Surpreendentemente, a relação amorosa entre Anna e Jamie foi o que menos me interessou. O que mais gostei foram mesmo as partes in between (as suas relações com outros personagens, os vislumbres do quotidiano) e o final.

Isso torna o filme mau? A meu ver, não; depende do que seja importante para ti.
É um bom filme para quem tenha curiosidade sobre Oxford, o estilo de vida e cultura britânicos, e queira explorar essa cidade ao lado dos personagens de forma mais ou menos autêntica.

As minhas cenas preferidas foram mesmo as filmagens do quotidiano, dos pubs e das lojas de fish and chips e kebab, das pequenas ruas de calçada, da universidade, do verde do campo, da arquitectura fantástica, e poder lembrar-me de quando lá estive em pessoa. (Já agora aproveito para recomendar A Discovery of Witches / A Noite de Todas as Almas se gostas de Oxford).

Houve momentos de humor, de tristeza, e de romance em quantidades semelhantes, que acho que vão preencher as medidas à maioria das pessoas que gostam deste tipo de histórias.
A mensagem de que devemos seguir os nossos sonhos, mas também manter os pés assentes na terra, aproveitar a vida ao máximo sem fazermos grandes planos, pois é provável que estes não sigam um percurso perfeito, e seguir o nosso coração acima de tudo pode parecer cliché mas deu alma a um filme que, de outra forma, seria apenas mais um romance da Netflix.

Não é demasiado cheesy nem demasiado arrebatador, e apesar da duração mais longa não me fez sentir aborrecida (confesso que peguei no telemóvel em algumas partes… Mas sou apenas humana).
Teve os seus pontos fracos, já mencionados, mas também teve pontos positivos que equilibraram bem no final das contas. Num todo, foi bastante mais tocante do que estava à espera, mesmo que não me tenha feito chorar nem nada do género.

Voltaria a ver O Meu Ano em Oxford? Provavelmente não, a não ser pelos enquadramentos e pelos cenários. Mas para isso existem melhores filmes.































