“O Monte dos Vendavais” de Emerald Fennell acabou de estrear nos cinemas e já conta com várias controvérsias no bolso: desde ter sido a adaptação menos fidedigna ao material original até às escolhas de elenco e de liberdades artísticas. Agora, uma nova se junta à lista: a capa da nova edição do livro original de Emily Brontë pela editora Penguin.

Apesar de ser uma prática comum de colocar os posters como capa de livros após a estreia de filmes/séries baseados em obras literárias, o problema actual prende-se com o facto de “O Monte dos Vendavais” ficar tão longe da obra original que se torna quase irreconhecível, e a própria realizadora admitiu que a colocação de aspas no título do filme foi propositada por se tratar de uma adaptação “inspirada em” mais do que algo que siga a história contada por Emily Brontë e as suas muitas nuances.

Quer se odeie ou se adore o “O Monte dos Vendavais”, a verdade é que faz pouco sentido colocar o poster do filme numa edição do livro de onde foram retirados pequenos pedaços da história e dos personagens sem grande preocupação em manter a essência do clássico de literatura gótica. Seria como usar o poster do filme Gnomeu e Julieta na capa do Romeu e Julieta de William Shakespeare.

Os fãs do livro defendem essa posição, enquanto que os que chegaram agora parecem ter abraçado bem a mudança. A verdade é que muita gente acabou por conhecer a obra intemporal de Emily Brontë através de Emerald Fennell e isso leva a algumas questões pertinentes, como, por exemplo, a romantização da relação tóxica entre Catherine e Heathcliff, e a enaltação da própria personagem de Heathcliff enquanto herói trágico romântico e não como vilão irredimível.

Mas estou-me a adiantar demasiado. O que achas tu desta nova mudança? Já foste ao cinema ver “O Monte dos Vendavais”? O que achaste? Já conhecias o livro? Deixa-nos a tua opinião nos comentários!

Sofia Martins
Escrevo sobre filmes, séries, livros, pop culture e hallyu (kdramas, k-pop e cultura coreana).