Um jovem chamado Bruno, acaba de chegar da escola em 200,5 pousa a sua mochila, e decide ver o que é que está a dar na televisão, mais concretamente, no seu canal favorito da altura: SIC Radical.

Cores vibrantes ilustram os mares navegados por uma caravela com uma figura caricata sentada na escultura da proa. De seguida, é-lhe apresentada a história do One Piece, um tesouro deixado pelo lendário pirata Gol D. Roger, para que o mais audaz o consiga alcançar. Assim começou uma jornada com agora 18 anos (e uns quantos pela frente) ao lado dos Chapéus de Palha.

Após quase duas décadas a acompanhar One Piece, fico chocado com a falta de aproveitamento do incrível palco da odisseia de Luffy e companhia no mundo dos videojogos. É até paradoxal que o manga/anime cujo maior forte é o worldbuilding, tenha sido adaptado num jogo que praticamente previu o isolamento do Covid-19, pois era rara a alma que encontrávamos na rua.

Seria mentiroso ao declarar que ver o anúncio de One Piece Odyssey por parte da ILCA não me deixou entusiasmado para um novo jogo, mas a constante mágoa que assombra esta série puxou-me o pé para trás. Felizmente, até podia ter saltado que não me ia aleijar.

História

One Piece Odyssey traz consigo uma aventura original dos Chapéus de Palha, tendo claro, tido a participação do mestre Oda. Iniciamos a aventura com o Thousand Sunny a ficar inutilizado após uma tempestade. Isto leva a que a tripulação fique presa na ilha de Waford.

Após uma breve secção inicial em que reunimos a tripulação, conhecemos finalmente os “guias” desta viagem: Adio comeu a Kote Kote no Mi, uma fruta que lhe permite invocar garras para agarrar e manipular qualquer objecto, e Lim possui o poder de selar o poder de qualquer indivíduo em cubos, sendo que esta última habilidade serve como catalista ao desenrolar de vários eventos na história.

A narrativa mantém os mesmos padrões do manga, muita ação, mistério e diversão com criaturas únicas que encaixam que nem uma luva com o estilo visual de Odyssey. Embora tenha gostado da história, não consegui desfrutá-la da devida (na minha humilde opinião) maneira. Somos constantemente parados, seja pela próxima cutscene (e são muitas), ou quando tentamos explorar os vários cantos dos locais.

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One Piece Odyssey é um paradoxo: centra-se na exploração e na maravilhosa ilha de Waford, mas não deixa o jogador explorar em paz. Há certas cutscenes que nem fazem sentido pararem o jogo, podiam ser diálogo corrido e deixar-nos interagir com o mundo enquanto a conversa flui, ao invés disso, somos obrigados a ver as personagens falar sobre o que acabámos de fazer, acrescentando tempo desnecessário à sessão de jogo.

Mundo

A atenção ao detalhe da ILCA é fenomenal. Seja em passeios ou nas festas, surgem sempre piadas ou itens recorrentes da série, tendo-me sacado algumas gargalhadas. Podemos percorrer o mapa com qualquer personagem, sendo que cada uma tem uma interação especial com o mundo.

Luffy chega onde ninguém consegue, Zoro corta portas de metal, Usopp consegue mandar ninhos abaixo para recolhermos itens, entre outras habilidades na tripulação que incitam à exploração diversificada.

Nos locais de gravação podemos sempre começar uma festa, onde podemos pedir a Sanji que cozinhe, Robin pode fundir acessórios para acumularem habilidades, ou então podemos deslocar-nos à banca do Soge..Usopp! para nos artilharmos com trickballs que tanto podem elevar os nossos poderes como prejudicar os dos adversários.

Embora a ação principal decorra em Waford, temos a oportunidade de visitar vários locais conhecidos. Com a ajuda de Lim podemos visitar Memoria, um mundo de memórias que nos leva para quatro arcs importantes do manga. Aqui recriamos os eventos principais de cada história, embora sinta que se salte por cima de demasiada informação, esta mecânica serve bem tanto os novos como os antigos fãs da série. Espero que seja melhor explorada nas próximas iterações, pois o potencial é imenso.

Jogabilidade

A ILCA tomou a decisão (a meu ver, acertada) de introduzir combate por turnos em Odyssey.

Sempre que a tripulação está reunida começamos as batalhas com uma party pré-definida de quatro elementos, no entanto, podemos alterar tanto a equipa pré-definida como a que esteja em luta a qualquer altura.

O cerne do combate é uma mecânica chamada Rock, Paper, Scissors. Cada elemento tem um tipo de ataque específico: Power, Technique ou Speed. Existem pelo menos 2 elementos com cada tipo de ataque, pelo que podemos conjugar vários tipos de estratégias face às diversas batalhas. Para além destes modificadores, podemos ainda equipar as personagens com buffs (passivos) que melhoram as suas habilidades.

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Como já referi, Oda fez parte da criação do jogo, o que significa que cada inimigo será mais hilariante que o anterior. Os designs dos inimigos são variados e adequados às áreas em que os encontramos com especial destaque criativo para os bosses.

O combate é variado e entretém, todavia, nunca me senti desafiado. Só a equipa no seu poder base é demasiado forte para qualquer inimigo e mesmo que isto não chegue, com as fortunas que ganhamos em cada batalha, facilmente chegamos ao poderio financeiro de esgotar três quarteirões de lojas.

Audiovisual

Não quero parecer biased mas One Piece Odyssey está sem dúvida no top 3 de jogos baseados em animes com melhores visuais. Com isto não quero dizer que tenha a melhor atenção ao detalhe, mas antes que o estilo escolhido para recriar as aventuras de Luffy encaixa que nem uma luva no traço/animação utilizados na série.

As cidades estão repletas de pormenores que nos vão captar a atenção e fanservice suficiente para nos fazer explorar todos os recantos só para ouvirmos Usopp gabar-se a Chopper ou Nami encontrar berries “perdidos”.

Felizmente conseguiram a equipa que dá voz às personagens no anime, pelo que estas se entregam à tripulação com a mesma tenacidade, oferecendo uma experiência 100% One Piece no que toca ao diálogo. Para além disto, a produção está no ponto. Seja risinhos ou pequenos animais, os sons fluem de forma natural e nunca surgem acima ou abaixo do tom esperado.

Breviário

Quer estejam ou não familiarizados com One Piece: o bem triunfou. Finalmente conseguimos uma adaptação honrosa às personagens e ao mundo que Oda criou com tanta devoção. Tanto os fãs de JRPGs como os Mugiwara encontrarão aqui uma aventura original e caricata.

CONCLUSÃO
Merecedor
7.8
one-piece-odyssey-analiseNão é fácil adaptar uma história tão extensa e repleta de pequenos pormenores, mas a ILCA conseguiu alcançar um bom meio-termo para agradar tanto aos novos fãs como à velha guarda. Que a série continue a ser tratada com tanto cuidado como foi nesta aventura.