Hoje apresento-vos o remake de Paper Mario: The Thousand-Year Door, o segundo jogo da série do Paper Mario, que nos veio trazer um RPG com um conceito e arte bastante únicos, resultando numa série icónica e criativa na grande biblioteca da Nintendo.

Este remake quase se refere como um remaster, tentando manter ao máximo a essência do jogo original, fazendo apenas melhorias gerais à apresentação do jogo e algumas mudanças pequenas em termos de jogabilidade, fazendo com que o jogo seja essencialmente o mesmo, mas com bastante mais facilidade de simplesmente o experienciar, devido a estar disponível numa plataforma moderna. Será que este remake vale a pena? Eis que irei tentar responder a essa mesma questão.

O que estará por detrás da porta?

Iniciamos o jogo com uma pequena história sobre uma cidade bastante próspera que se encontrava perto do mar. Infelizmente, esta cidade eventualmente sofreu um cataclismo, sendo completamente destruída e afundada. Passado uns anos, outra cidade foi construída no topo das ruínas desta cidade passada, sendo esta cidade nova denominada de Rogueport.

Eventualmente, as pessoas da cidade descobriram que a mesma escondia um tesouro extremamente valioso, que se encontra protegido por uma porta bastante robusta.

Após receber uma letra da princesa Peach com um mapa para o segredo do tesouro, Mario decide viajar para Rogueport para se encontrar com a princesa e desvendar este grande mistério. Infelizmente, a princesa foi capturada por um grupo de vilões chamados X-Nauts, com o intuito de obter o mapa para obter o tesouro. Cabe então a Mario encontrar as 7 Crystal Stars que desbloqueiam a porta robusta para impedir os X-Nauts de terem acesso ao tesouro, bem como salvar a princesa do grupo de vilões.

Um mundo em papel visualmente criativo

Em termos visuais, tudo se mantém bastante fiel ao original, com uma apresentação vibrante e alegre. O que mais impressiona são as várias transições e as animações relativas ao fato de ser tudo feito em papel. Os inimigos e bosses feitos em papel são sempre um deslumbre, resultando na apresentação única que define esta série.

Em termos técnicos, temos uma resolução aumentada relativamente à versão original, dando um aspeto mais nítido e limpo, bem como melhorias gerais de iluminação e texturas. Infelizmente, temos uma descida de fotogramas, passando dos 60 fps do original para 30 fps neste remake. Felizmente, a jogabilidade de RPG por turnos não cria qualquer impacto, sendo apenas uma questão de fluidez visual.

Um RPG simples, variado e divertido

A jogabilidade define-se em uma série de aspetos simples, com puzzles, exploração e combate a serem os três fatores importantes que definem a fórmula durante a aventura. Começando pela exploração, esta define as várias localizações que irás visitar, bem como a capacidade de viajares por elas livremente, sendo ao teu critério o descobrimento de segredos. A exploração é contemplada com os puzzles, tornando tudo bem mais divertido. Os puzzles utilizam bastante o fato do Mario ser feito de papel, como ter de atravessar uma passagem bastante estreita ao simplesmente rodar a personagem, fazendo com que Mario se torne numa folha fininha, passando facilmente. As personagens que se juntam ao teu grupo também usufruem de bastante utilidade na exploração, dando habilidades extra, como poder agarrar em objetos distantes ou poder ativar algum botão remotamente para poder subir um elevador que se encontra longe.

O único aspeto menos bom da exploração é a insistência em voltarmos atrás várias vezes durante a aventura, havendo algumas horas perdidas a simplesmente correr nos níveis desde o final até ao início. Felizmente, evitar o combate é bastante fácil, não sendo algo que ocupa demasiado tempo.

Quando encontras inimigos, podes iniciar o combate ao tocar nos mesmos, ou ganhando vantagem ao atacá-los primeiro, entrando então no cenário de combate. Sendo um combate por turnos, temos então Mario, juntamente com outro membro da party, contra um ou vários inimigos. Tens várias escolhas ofensivas, como realizar um ataque simples com o martelo ou saltar em cima de um inimigo, ou utilizar uma habilidade mais sofisticada que gaste FP, resultando em um ataque mais forte ou num ataque que atinja vários inimigos em simultâneo, como uma martelada super forte no chão que atinge todos os inimigos que se encontram no solo e no teto. Estes ataques são acompanhados por um minijogo único, como puxar o analógico para um lado e largar quando a barra se enche até a um ícone de uma estrela. Em termos defensivos, temos a capacidade de nos defender, diminuindo o dano que recebemos, ou fugir, tendo um pequeno minijogo que envolve tocar num botão rapidamente para podermos ter mais chances para escapar com sucesso.

Existem algumas ações adicionais que podes realizar, que podem ser tanto ofensivas, defensivas, ou que dão melhorias para as tuas personagens. Estas habilidades especiais são as mais impactantes, sendo possível, por exemplo, de criar uma estrela de cristal gigante, que, ao realizares o minijogo com sucesso várias vezes, vai crescendo, culminando num ataque que faz o chão ondular e os inimigos saltar várias vezes, dando bastante dano.

O cenário também tem o seu papel (hehe) no combate. Ao realizares ataques fortes que abanem o cenário, parte do mesmo pode cair para cima do inimigo, resultando em dano extra, também pode haver situações onde o cenário pode criar desvantagem, como umas máquinas que congelam os inimigos ao se curvar na sua direção, fazendo com que os mesmos fiquem um número de turnos incapacitados. Há que tomar em atenção que o mesmo pode acontecer para Mario e os seus companheiros, sendo preciso tomar atenção tanto aos inimigos como ao cenário da batalha.

Os bosses partem desta base implementada pelo combate, geralmente tendo um truque ou dois que ajuda a facilitar o combate e a conseguir derrotar o boss de forma fácil e eficaz.

No que toca aos companheiros que irás encontrar pela aventura, estes também usufruem de habilidades únicas, como poder assoprar os inimigos para fora do cenário de combate.

Tenho que admitir que, apesar da simplicidade e da dificuldade baixa, o combate nunca deixou de ser divertido, com os minijogos relativos aos ataques e habilidades a nunca ocuparem muito tempo, bem como as batalhas em si a serem extremamente breves e fluídas.

Uma orquestra em perfeita sintonia

Musicalmente, Paper Mario: The Thousand-Year Door apresenta um OST bastante típico da personagem. Temos uma orquestra gigante, com uma variedade quase infinita de instrumentos, a reproduzir uma série de composições que servem na perfeição todos os cenários presentes no jogo. Temos uma série de músicas mais felizes e upbeat, juntamente com uns temas mais misteriosos e sombrios. O que mais impressiona é a consistência de qualidade nos temas, havendo sempre o cuidado em dar significado a todos os temas presentes no jogo.

Um agradecimento especial à Nintendo por nos ter oferecido uma chave do jogo para análise.

CONCLUSÃO
Redobrado
8
paper-mario-the-thousand-year-door-analisePaper Mario: The Thousand-Year Door é um remake bastante fiel que veio dar aos jogadores a possibilidade de experienciar o clássico da GameCube numa plataforma moderna. Apesar da descida de fotogramas desapontante, as melhorias relativas à apresentação e jogabilidade dão uma nova vida a esta aventura de Mario.