Não vou mentir, quando digo que passei horas e horas a pensar sobre qual seria o tema para as Recomendações de Anime deste mês. É o começo do ano, logo o que haveria de sugerir desta vez? Romance? Nah, já foi em Novembro… Shōnen? Isekai? Não, muitos desses já há por aí.

Queria algo diferente, algo novo, de forma a começar também este ano novo de 2023 que se encontra à nossa frente. Logo, lembrei-me de algo, que não costuma ser muito relembrado neste tipo de guias de anime, que é o género que mexe connosco psicologicamente: quer seja terror, quer seja apenas um thriller que nos perturba de uma forma inexplicável.

Sendo assim, quero que vocês comecem o ano de uma forma excelente, por isso recomendo-vos duas das melhores obras de animação já alguma vez criadas, pelas mãos dos mestres Satoshi Kon e Hideaki Anno. Quem conhece os nomes, certamente também conhece que as obras, que serão obviamente o filme Perfect Blue, e Neon Genesis Evangelion.

Perfect Blue (1997)

Todos os fãs de clássicos de anime certamente conhecem esta obra do mestre Satoshi Kon. Perfect Blue é reconhecido por muitos não só como o anime que supostamente inspirou Black Swan, filme que rendeu a Natalie Portman o Oscar de Melhor Atriz em 2011, mas também como o melhor thriller psicológico já alguma vez criado! Para quem não conhece a obra, Perfect Blue segue a história de Mima Kirigoe, uma cantora pop da banda CHAM!, que decide tornar-se uma atriz, tendo como primeiro projeto uma série de crime dramática.

Muitos fãs ficam chateados com a sua decisão, e um deles, obcecado por Mima, começa a persegui-la e a enviar mensagens, apelidando-a de “traidora”. Decidida a ignorar tais fatos, ela preocupa-se com a sua personagem na série, que sofrerá um sequestro num dos episódios. Sem ter noção da possibilidade de ser afetada pela cena, Mima fica traumatizada e começa a não conseguir distinguir a realidade da ficção. Mas o seu problema maior começa quando os seus colegas de trabalho são assassinados, e as provas apontam para ela mesma.

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Creio que o fator mais “poderoso” que elevou este filme ao patamar em que se encontra é o próprio efeito de enganar a audiência. Satoshi Kon não queria que fosse só Mima que se sentisse confusa, mas também a própria pessoa que está a assistir o filme. Em certos momentos, é difícil de perceber se o que estamos a ver no filme acontece mesmo, ou se é apenas uma ilusão, algo que a mente da Mima está a criar, de forma a atormentá-la. Até o próprio fim do filme, que obviamente não irei “spoilar”, segue este mesmo padrão, deixando-nos completamente confusos, e a perguntarmo-nos: “Mas o que raio é que aconteceu?”.

De forma a criar este ilusão, os elementos auditivos e visuais do filme são absolutamente necessários. Não só a maravilhosa banda sonora, que mostra o contraste entre as músicas pop alegres (representativas dos anos de Mima enquanto cantora/ídolo) e as músicas ditas “unsettling”, que atormentam qualquer um que veja o filme, mas também todos os detalhes do apartamento da Mima, de todos os ambientes em que ela passa, especialmente os sets onde ela grava a série em que é atriz, tudo isso ajuda este filme a tornar-se o clássico de animação (e de terror psicológico) que é.


Neon Genesis Evangelion (1995)

Ok, sem pressão, mas… eis o meu anime nº.1 de todos os tempos: Evangelion! Apesar de ser mais um “velhinho”, este vindo diretamente de 1995, este anime tem vindo a inspirar gerações inteiras de animação, mesmo até aos dias de hoje. O que parece ser mais um anime de mechas, género muito popular na altura devido ao aparecimento de Mobile Suit Gundam, é na verdade a maior história já alguma vez feita sobre depressão, negligência parental e relações humanas.

Apesar de ser quase impossível sintetizar a história principal de Evangelion, devido à sua complexidade, deixo uma sinopse que poderá dar um pequeno olhar sobre a superfície do “iceberg” que este anime é:

Num um mundo pós apocalíptico, uma organização militar chamada NERV é criada para combater seres monstruosos denominados de Anjos. A NERV resolve utilizar seres gigantes chamados Unidades Evangelion (ou EVAs). Estes seres são controlados por adolescentes, recrutados pelo ano em que nasceram, quando ocorreu o Segundo Impacto, conhecido como o início do fim.
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Pronto… antes de se começarem já a questionar sobre o que é um Segundo Impacto, ou sobre o que são mesmo os EVAs, tenho que dizer que este é um daqueles animes que têm que ser vistos de forma a serem entendidos. Até porque a importância de Evangelion não vem diretamente da sua história altamente complicada, mas sim das suas personagens: as relações entre o Shinji, a Asuka, o Kaworu… isso sim, este foi o verdadeiro objetivo do mestre Hideaki Anno ao criar esta obra-prima de animação, de dar importância aos sentimentos das personagens, e não de finalizar uma história sobre salvar a humanidade da extinção (até porque o final de Neon Genesis Evangelion nem dá um término “como deve ser” à sua história).

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Eu podia estar aqui o dia inteiro a falar sobre isto: como se devia ver primeiro Neon Genesis, depois ver o The End of Evangelion, depois ver os Rebuilds, ler o manga, etc… Porém, acho que não são necessárias muitas palavras para descrever esta obra de ficção científica: têm que a experienciar por vocês mesmos, não há outra forma. Só me resta dizer que, apesar de “ultrapassada”, a animação é excelente para a época, e ainda hoje é um marco na história de séries animadas. Além disso a banda sonora é… bem, só tenho a dizer que o grande Shiro Sagisu fez o trabalho de uma vida com as músicas para Evangelion (e não é só a famosa abertura de que estou a falar). Para vocês verem, enquanto escrevo este artigo, estou a ouvir a soundtrack… nunca pensei que um anime de mechas iria ter tamanho impacto na minha vida.

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