Tendo jogado Journey to the Savage Planet, antecipava algo no mínimo excêntrico, mas Revenge of the Savage Planet aumenta a cilindrada em todos os níveis.

O pontapé de saída da narrativa não é estranho para ninguém, pois assumimos o papel de um empregado que é atirado para um mundo alienígena por uma empresa duvidosa (deixo ao vosso critério, mas não devem bastar 10 segundos para perceberem isto). Encontramos humor às paletes, até ridículo no bom sentido e, com a pitada suficiente de inteligência. Desde a troça à ganância corporativa, à burocracia ou aos diversos clichés de ficção científica, não se perde qualquer irreverência ao longo da aventura.

É-nos dada mais liberdade e visão na terceira pessoa, o que claro, traz consigo uma experiência incomparável com o antecessor. Ver o nosso astronauta a esbracejar todo desajeitado parece um filme do Harold Lloyd, quer estejamos a escalar penhascos ou a levar tareias de galinhas alienígenas. Em destaque temos também uma estrutura melhorada das missões. Apresentando-se bastante menos linear do que o primeiro jogo, RotSP permite-nos explorar ao nosso próprio ritmo, permitindo-nos completar missões secundárias, analisar todas as espécies que encontramos, ou simplesmente andar na galhofa com a malta em modo cooperativo.

Se até agora ainda não perceberam, permitam-me que evidencie, este mundo está repleto de esquisitices, mas das que valem a pena observar. Entre plantas ou criaturas bizarras, muitas têm reações próprias e hilariantes quando interagimos com as mesmas. Incorporando o terreno do planeta para criar plataformas e puzzles ambientais, são-nos lançados obstáculos que só podem ser resolvidos com a recolha dos equipamentos certos. Ao velho estilo metroidvania, somos encorajados a regressar a áreas para as explorarmos completamente, mas, de uma forma que não pareça forçado ou entediante. A exploração é encorajada a cada passo, e o que quer que encontremos, torna a deslocação progressivamente mais divertida.

Revenge of the Savage Planet introduz algumas alterações bem-vindas, como o sistema de construção de bases. Ao invés de andarmos com melhorias mínimas, podemos agora desenvolver as nossas próprias instalações em Stellaris Prime. À medida que construímos e expandimos a nossa base, ganhamos acesso a novas salas e equipamentos que sucessivamente desbloqueiam melhor equipamento. Também as atualizações dos equipamentos são mais criativas. Entre bastantes novas ferramentas, não faltam estrelas como o aspirador de criaturas ou as almofadas de teletransporte, que acrescentam uma camada de interação
com o ambiente completamente diferente.

A pesquisa e coleção de criaturas traz outro motivo para continuarmos a jogar. Através do encorajamento a capturar alguns dos habitantes do planeta de forma não letal, podemos levá-los para a nossa base de forma a analisá-los, e claro, como o jogo possui sentido de humor ridículo, até este aspeto mais “científico” acaba por se tornar divertido. O destaque final na jogabilidade vai para a experiência cooperativa, seja esta em ecrã dividido ou online, a experiência é fluída. Com um sistema de progressão partilhado, funciona tudo às maravilhas, de forma a garantir que o nosso foco esteja em fazer tudo menos o que devemos, como fugir de uma criatura para a qual não estávamos minimamente preparados.

Tecnicamente, Revenge of the Savage Planet fica bastante aquém das expectativas. Não por não ser apelativo ou por não estar recheado de brilharetes visuais, mas pelo desempenho. Parece impensável encontrarmos um jogo a 30fps em 2025, tanto na Playstation 5 base, como na versão Pro. Felizmente os ambientes são coloridos com cores vibrantes, quase ecoando uma experiência cel-shaded, e não encontrei grandes bugs, o que acaba por amenizar o golpe gigante dos fotogramas.

Um agradecimento especial à editora pela cedência de uma cópia digital para análise na PS5.

CONCLUSÃO
Divertido
7.5
Sara Kohl
Na internet, ninguém sabe que és uma batata.
revenge-of-the-savage-planet-ps5-anliseEm suma, Revenge of the Savage Planet acaba por ser ao mesmo tempo o que eu esperava, e algo inesperado. Encontrando o equilíbrio ideal entre o humor e uma jogabilidade eficiente, temos uma experiência maior, melhor, e mais divertida, que mantém o espírito do original. Não se levando demasiado a sério, nunca pára de nos atirar surpresas estranhas e incríveis.