Vamos a meio do ano e ainda não parei de referir o quão incrível tem sido este ano para a indústria dos videojogos. Ora, felizmente, cá estou eu outra vez para falar de uma pérola que me agarrou e não me deixou largar o comando até o acabar, o destaque de hoje é Silt.

Criado a partir das mentes de Tom Mead e Dom Clarke da Spiral Circus e publicado pela Fireshine Games, Silt traz consigo a exploração da talassofobia, que consiste no medo de grandes corpos de água como o oceano. Será através de puzzles no fundo do mar que chegamos ao fim do jogo, e posso dizer que a viagem vale muito a pena!

Somos incumbidos de reunir os olhos dos Goliath, uma série de monstros que assombram o fundo do oceano, de forma a conseguirmos reanimar a Grande Máquina. O jogo não nos dá grande indicação do nosso propósito no que toca às motivações, somos uma alma que simplesmente existe e acata a tarefa de reunir olhos.

Para conseguirmos estes olhos, como já referi, teremos de resolver vários puzzles, sendo que estes funcionam sempre através da possessão de outras criaturas que se encontram à nossa volta. A possessão é a mecânica principal do jogo. Também não nos dizem porquê, nem como obtemos este poder, mas começamos o jogo acorrentados, com um breve tutorial de como possuir uma piranha para cortar a corrente.

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Ao possuirmos outras criaturas ganhamos acesso às suas habilidades, como por exemplo, uma piranha consegue cortar cordas, enquanto que as enguias geram electricidade.

A estrutura do jogo acaba por ser idêntica em todos os níveis: chegamos ao nível, utilizamos as criaturas necessárias para abrir caminho e vamos avançando até chegar ao boss, repetindo este procedimento 4 vezes. Os puzzles vão escalando na dificuldade, mas nunca ao ponto de serem incomodativos por demorarmos muito tempo a perceber o que fazer.

Silt não é um jogo comprido, mas também não o precisa de ser, creio que alcança um bom equilíbrio na longevidade, dado ter uma atmosfera pesada, sendo possível passar o jogo numa tarde (5/6 horas).

Embora seja um jogo relativamente calmo, consegue criar uma atmosfera bastante claustrofóbica, não só utilizando corredores esguios, como também removendo qualquer som ambiente excepto o que conseguimos ouvir dentro do capacete.

Aliado a isto, são raras as criaturas que não nos matam, o que requer precaução na maneira como abordamos o caminho a percorrer.

Encontramos uma palette noir que de imediato transmite uma sensação mórbida, como se faltasse vida no ecrã. Isto prepara o jogador para as criaturas que têm aparências igualmente aterradoras, conjugando tudo numa apresentação visual incrível.

O som (ou falta de) assiste também no peso atmosférico que presenciamos. Embora não sejam utilizados muitos sons, os que estão presentes são suficientes para simular a claustrofobia subaquática e ao mesmo tempo fazer-nos sentir sozinhos.

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Silt já está disponível para Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X|S, e PC.

CONCLUSÃO
Tenebroso
8.6
silt-analiseQualquer imagem de Silt serve perfeitamente para transmitir o que o jogo é: uma viagem bastante solitária e perigosa. Em momento algum nos dá a mão, deixando-nos à mercê do fundo do oceano. Embora seja caracterizada por estes atributos, é sem dúvida uma viagem que vale a pena fazer.