Guerras são aterrorizantes. Desde sempre que conflitos armados trazem morte, desolação, trauma e ruína. A cidade de Faluja foi palco de mais um desses episódios que entristece a humanidade. Existem várias versões da história, todas com alegada quantidade de folclore pelo meio, mas algo é certo; perderam-se vidas inocentes que podiam ter sido poupadas.

As várias versões dos acontecimentos de Faluja em 2004 podem ser consultadas online em diversos websites, vídeos e até documentários. No entanto, a Highwire Games que (inicialmente até nem era a desenvolvedora deste projecto), quis levar-nos mais longe, e contar-nos através de pequenos detalhes e sensações, um pouco do sabor amargo da guerra do Iraque, e o pavor de uma das batalhas mais sangrentas da história do país.

Six Days in Fallujah ainda se encontra no estado early access, mas já se pode arrancar umas boas críticas a quase tudo o que fora implementado neste projecto, e ao que a sua desenvolvedora se comprometeu a entregar.

O título apresenta inicialmente um modo de jogo, que pode ser jogado a solo ou online. Trata-se de tomadas de assalto ou defesa de território, com até 4 jogadores humanos contra a IA. É um modo muito simples na sua premissa, mas com uma complexidade tremenda na execução, isto; porque basta um pequeno erro para que a equipa fique comprometida.

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Descarta imediatamente a ideia de FPS convencionais quando pensas neste título. Six Days in Fallujah foca-se mais em oferecer uma experiência completa de terreno e simulação, do que propriamente um jogo desprovido de carga emocional em que tudo o que interessa é acertar mais que o adversário. É obrigatório no sentido de honra da palavra, abraçar este título com headphones, e sempre focado no trabalho da equipa. Esta é a chave essencial da experiência.

O design de som é incrível e imersivo, tanto a nível de explosões e munição que açoitam as paredes ocas dos edifícios de Faluja, como a nível da construção do sistema de comunicação do jogo. Existe realmente um efeito sentido estático literal na comunicação via rádio, com a distância entre ti e o teu camarada de guerra. A ansiedade é sentida a todo o momento, com um ritmo lento mas tenso, como se de um movimento de tabuleiro crucial num jogo de xadrez se tratasse. De muitos FPS que já joguei, nenhum conseguiu atingir a sensação nebulosa que esta experiência captura só através dos seus efeitos sonoros.

As armas são extremamente pesadas e a atenção ao detalhe é sempre a favor do realismo. Quando és atingido de uma forma que não seja mortal, esquece a resposta em contra-ataque. O teu soldado irá ficar encolhido com dores, e terás primeiro que resolver essa situação, e se for um pouco mais grave terás mesmo que pedir assistência aos teus colegas.

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A construção de progressão de nível está muito bem conseguida ainda que a IA tenha algumas falhas em certas ocasiões. Os inimigos são muito cautelosos, e se deixares alguma casa ou abrigo por investigar, provavelmente serás morto pelas costas. É o preço a pagar por qualquer falha militar. Será extremamente desafiante memorizares padrões, isto porque a tecnologia procedural architecture encarrega-se de remodelar todos os elementos presentes no campo de batalha de cada vez que o jogo é iniciado, renderizando edifícios inteiros e blocos da cidade processualmente.

Ainda é extremamente cedo para uma análise mais detalhada, mas para já; Six Days in Fallujah pode ser controverso no seu tema, mas é seguramente uma das ofertas mais realistas do mercado dentro do seu género. Este ambicioso jogo desenvolvido pela Highwire Games tem um futuro promissor pela frente, e muito desafiante. Ficaremos a aguardar como funcionará o seu modo de campanha, e como a sua inteligência artificial muito única se comportará nesse modo.

A equipa Squared-Potato agradece à sua publisher por nos ter cedido gentilmente uma chave para análise.

Igor Gonçalves
Curioso, explorador, e fã de videojogos desde que me lembro, e em especial pela saga Metal Gear. Não jogo plataformas, jogo jogos.