A comunidade dos jogos de luta anda a comer tão bem que parece um sonho lúcido. Tekken 8 surge como uma entrada monumental na famosa franquia Tekken, construindo sobre o seu rico legado e introduzindo inovações significativas que a impulsionam para uma nova era de jogos de luta.

Narrativa

Tekken 8 dá continuação à mais longa saga na história dos videojogos, destacando a ínfame família Mishima.

Retornamos ao protagonismo de Jin Kazama, tentando colocar um ponto final na sua ascendência, ao matar o pai, Kazuya Mishima. Encontramos um modo história chamado The Dark Awakens, que acompanha o build-up até à batalha climática entre pai e filho, conseguindo manter um equilíbrio saudável entre a duração da estadia e o desenvolvimento narrativo. Com uma boa conjugação de humor e drama, a história mantém-se simples, mas cativante, apelando aos laços familiares para vincar o seu peso emocional.

Modos de Jogo

Encontramos diversos modos destinados a todo o tipo de jogadores.

Como já referi, o modo The Dark Awakens foca-se na família Mishima, e, caso a vossa main não seja Jin ou um dos intervenientes da história principal, podem enveredar pelos episódios das personagens, com experiências narrativas mais focadas, embora em alguns casos, sem qualquer fio narrativo, que deixam mais perguntas do que respostas.

O novo modo Arcade Quest simula a viagem para nos tornarmos um profissional Tekken, onde somos convidados a criar um avatar, sendo depois introduzidos às bases do Torneio do Punho de Ferro, de forma a escalarmos até ao título máximo.Tenho de abordar o épico regresso de Tekken Ball(!!), uma modalidade em que andamos à pancada com uma bola de vólei para acertarmos no adversário. Felizmente existem modos de jogos para todo o tipo de sessões a solo ou com amigos, mais cruas e sérias ou um belo torneio de pancadaria misturada com vólei. Já só nos falta o bowling para sucesso garantido.

Jogabilidade

O sistema de combate de Tekken 8 encontra-se mais intenso e satisfatório do que nunca.

Se já em Tekken 7 eu vibrava no online ao dar counter com uma Rage Art, nesta nova iteração encontramos o Heat System, uma mecânica que nos fortalece temporariamente, servindo também como uma quebra ao ritmo da luta. Caso estejamos a ser encostados, conseguimos facilmente inverter o desenrolar da luta, ou, para os jogadores mais agressivos, ativamos no início para ganharmos fôlego e controlarmos o resto do combate. a encorajar um estilo de jogo mais agressivo.

À semelhança de Guilty Gear e Street Fighter VI, temos agora a hipótese de nos fazermos passar por um campeão mundial de Tekken, com a inclusão de um novo sistema de controlos, o Special Style. Este simplifica os vastos inputs complexos, tornando o jogo mais acessível e vistoso, sem comprometer a profundidade de quem gosta de treinar até à perfeição. Para os que gostam de treinar, a introdução do sistema Ghost traz consigo um avanço significativo no treino, permitindo-nos praticar contra inteligência artificial que vai aprendendo e replicando o nosso estilo de jogo.

Se Tekken 7 já encontrava um equilíbrio incrível nos diversos estilos de combate, o seu sucessor consegue, através destas alterações, garantir uma longevidade na frescura e gratificação do combate.

Ao testar o multijogador online, deparei-me com uma configuração tão suave quanto manteiga. Sejam adversários com ethernet ou wi-fi, o rollback netcode traz consigo uma estabilidade que é simplesmente ímpar no género, o que é de certa forma engraçado (porque não tem piada nenhuma), pois Dragon Ball FighterZ ainda hoje não o possui, sendo também um título Bandai Namco (embora desenvolvido pela ArcSystems).

Para além de rollback, temos também a opção de jogar em crossplay, algo que normalmente é bastante positivo, no entanto, em jogos competitivos, os donos de consolas acabam sempre prejudicados pela enorme quantidade **de batoteiros no PC. Como tal, creio que o ecossistema funcionaria melhor e de forma mais justa, se permitissem também selecionar apenas cross-consoles.

Estas funcionalidades, combinadas com o Tekken Lounge e as Super Ghost Battles, oferecem uma variedade de modos para treinar e competir online.

Audiovisual

É certo que os jogos de luta são mais “fechados” num contexto de desenvolvimento dos videojogos, mas à semelhança do seu logótipo, Tekken 8 quebra a corrente de jogos com problemas de desempenho no Unreal Engine 5. Desde o primeiro trailer no State of Play que Harada e a sua equipa mostraram que brincar é no parque. Com detalhes visuais incríveis e variados, seja nas personagens ou nos cenários, Tekken 8 apresenta-se como o jogo de luta a bater no estilo visual realista.

Para além da componente visual, o design de áudio acumula a imersão da experiência. Sejam rasteiras ou rotativos, o impacto dos golpes pulsa nos ouvidos à medida que duelamos pela banda sonora desenfreada, criando momentos palpitantes.

Breviário

Tekken 8 não só vinca o seu território como ameaça os restantes jogos do género com a qualidade e diversidade que traz à mesa. Trazendo consigo um misto de nostalgia com inovação tecnológica, aproveita as suas raízes e escala a jogabilidade e os modos de jogo para servir tanto como zona de conforto como um novo caminho a trilhar.

Agradecemos à editora por nos ceder uma chave para análise.

CONCLUSÃO
Incisivo
9.0
tekken-8-analiseTekken 8 refina e define o género. Com uma narrativa que continua a cativar, diversos modos de jogo, mecânicas de combate acessíveis e ao mesmo tempo complexas, encontramos um título de que não só Harada e a sua equipa, mas também a comunidade, através do feedback, se devem orgulhar.