Após o extraordinário lançamento de Helter Skelter: Queda e Ascensão, a Sendai Editora voltou às publicações de manga em Portugal, na nossa maravilhosa língua, como já estamos bem habituados, desta vez com um aglomerado de contos da autoria de Jumpei Azumi, denominado Terror na Montanha. Com esta obra, estamos de volta às publicações já recorrentes de manga de terror pela Sendai, onde todos os contos representados se passam nas altitudes perigosas das montanhas japonesas, onde alpinistas encontram horrores como nunca antes vistos, tanto sobrenaturais, como tão realistas como uma perigosa avalanche.

Eis a sinopse de Terror na Montanha:

As montanhas são misteriosas, distantes, inacessíveis… E nas montanhas acontecem coisas que não são deste mundo! Terror na Montanha é a primeira vez que contos de Jumpei Azumi, o mais famoso autor de livros e contos de terror passados nas montanhas é adaptado em mangá.

O que acontece a quem escala sozinho a montanha? E a quem se perde numa nevasca? Contos de incidentes e acidentes nos picos mais belos do Japão, ilustrados por cinco grandes artistas da atualidade: Junji Ito, Akihito Yoshitomi, Daisuke Imai, Akemi Inokawa e Mimika Ito.

Em teoria, Terror na Montanha é a chave para um sucesso enorme: contos de Jumpei Azumi adaptados para manga por alguns dos mangakas de terror mais consagrados de sempre, incluindo o reconhecido mundialmente “mestre do terror”, Junji Ito. Porém, para meu enorme desagrado, esta obra acabou por conter alguns contos pouco desenvolvidos, sem grande interesse narrativo, exatamente o contrário do que alguns destes mangakas nos foram habituando ao longo dos anos.

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Nas coleções de contos de Junji Ito, por exemplo, fui bem habituado a esperar contos não só com a habitual magnífica arte do mangaka, mas também uma narrativa de interesse e com conteúdo. Exemplos disto são, por exemplo, O Enigma da Falha de Amigara, O Homem-Cadeira e Balões no Ar, histórias onde a tensão criada é resultado tanto da componente artística, como narrativa. Porém, no conto adaptado por Junji Ito em Terror na Montanha, não me senti de todo satisfeito com a conclusão que uma história interessante até então, teve.

Felizmente, algo que este manga realizou de uma forma soberba foi a demonstração da arte de todos os mangakas responsáveis na criação do Terror na Montanha. Cada um dos contos tinha um aspeto diferente do outro, apesar do tema continuar o mesmo capítulo após capítulo: desastres nas montanhas. E, apesar de manterem este mesmo tema, sentimos que cada história consegue ter o seu próprio ponto principal, seja esse arte, narrativa ou desenvolvimento das personagens.

Apesar da minha crítica inicial à falta de desenvolvimento narrativo de algumas das histórias, uma que se destacou pela positiva foi a quarta, de Akihito Yoshitomi. Esta foi uma focada no sobrenatural, mais precisamente em fantasmas que vagueavam a montanha onde haviam no passado morrido. Na minha opinião, este foi o conto que melhor soube trazer o balanço que havia referido anteriormente, entre qualidade artística e narrativa, já que conseguiu trazer uma experiência absolutamente tensa e interessante em poucos painéis.

Como já estamos bem habituados, a edição da Sendai Editora de Terror na Montanha é excelente, contendo uma enorme qualidade de páginas e capa. Esta edição contém 192 páginas, sendo até agora um dos volumes mais pequenos publicados pela editora, e a tradução foi realizada por Cassiano Soares, como é habitual. De forma a comparar com obras já antes publicadas pela Sendai, o comprimento deste volume é exatamente o mesmo do Clube de Ocultismo e as Bonecas da Morte.

Terror na Montanha já está disponível para compra no site da Sendai Editora.

CONCLUSÃO
Interessante
7
terror-na-montanha-analiseTerror na Montanha, apesar de conter uma excelente arte, diferente de conto para conto, devido à diversidade de mangakas que trabalharam na obra, sofre de vez em quando no que toca à história de cada um dos capítulos, devido à falta de desenvolvimento narrativo.