Não há muito tempo analisei o Evil Dead: The Game, um jogo inspirado no pioneiro nos filmes de terror que originou inúmeras idas de amigos para cabanas no meio da floresta. Ora, hoje em destaque temos um dos netos deste género, mas em formato interactivo, ao clássico estilo da Supermassive. Para quem não conhece o estilo, esta é uma narrativa imersiva que conta com quick time events e pouquíssima movimentação “natural”, tendo como principal objetivo sermos nós a moldar a história através de sequências de decisões difíceis em tempo limite.

The Quarry segue então nove adolescentes/jovens adultos que vão ser guias num campo de férias situado na Hackett’s Quarry (pedreira). Conhecemos os jovens enquanto estes se preparam para ir embora, quando um contratempo faz o grupo ter de ficar mais uma noite na pousada, levando a que Chris Hackett (dono do campo de férias) fique subitamente irrequieto e lhes diga para independentemente do que fizerem, trancarem as portas e não saírem da pousada.

A história a partir daqui será o que nós entendermos, dado que as nossas decisões irão moldar o futuro de cada personagem, posso no entanto adiantar que a esta pode ter um futuro brilhante ou mórbido, está tudo nas nossas mãos.

Creio que a história e a interligação das personagens perde um pouco visto, que as apresentam quase todas seguidas e em pouco tempo, o que não as deixa conhecer e criar impacto com todas, o que leva a que as decisões iniciais não sejam motivadas com base nos desejos das personagens, mas antes nas nossas suposições do que seria melhor para todos. Felizmente a Supermassive mostra a sua qualidade e interliga a história entre vários capítulos, fazendo com que decisões tomadas nos capítulos iniciais venham com V de volta e nos prejudiquem/beneficiem.

Algo que me frustrou por vezes foi o engano da decisão que tomamos. Inúmeras vezes tomei uma decisão que não só era contrariada, pois nem existia uma escolha “óbvia” que toda a gente faria, como mesmo assim essa decisão não correspondeu em nada ao que estava escrito no ecrã, e falo de sequências sem QTE’s, ou seja, apenas tomada de decisões. Para cobrarem 75 euros (versão PS5) por um jogo seria de esperar que talvez expandissem o número de caminhos que podemos seguir, algo que permitiria um maior controlo sobre a narrativa.

Lê mais:  Tiny Tina's Wonderlands | Análise

O elenco está repleto de caras conhecidas, como Ariel Winter (mais famosa por interpretar Alex em Modern Family), Brenda Song (Dollface), David Arquette (Scream) entre inúmeras outras que ajudam a tornar a narrativa muito mais imersiva e realista, salvo algumas falas em que os olhos estão simplesmente presos num limbo, mas nada que prejudique a experiência no geral.

Não obstante à ligação com as personagens, denota-se um especial cuidado na maneira como os vilões são mais representados como anti-heróis do que os tradicionais antagonistas, tendo os seus próprios motivos ao invés de simplesmente quererem matar o protagonista porque só conhecem “aquela vida”.

Podemos traçar o nosso caminho de três maneiras diferentes:

  • Modo história – negócios como o costume;
  • Movie Mode – onde escolhemos o desfecho que queremos ver e o jogo simplesmente “joga-se”, deixando-nos agarrar um balde de pipocas e desfrutar da viagem;
  • Multijogador – temos multijogador local e online, sendo que em ambos temos de passar o comando, tanto local, como virtualmente;

desnecessariamente.

Como já referi, existe pouca exploração no total de 10 episódios, o que significa que vamos passar muito tempo a olhar para o ecrã e pouco a controlar o que realmente se passa. Cada episódio demora cerca de 1 hora a concluir, sendo que eu acabei a história em não mais do que 11 horas. Entre cada episódio, caso consigam apanhar pelo menos uma carta de tarot na exploração, temos direito a uma sessão com uma senhora que nos deixa ver o futuro mediante as cartas que apanharmos.

Visto que terminamos a história de forma relativamente rápida, creio que o jogo merece algumas melhorias no que toca à qualidade de vida, como por exemplo, podermos passar as cutscenes. Quando estava a repetir algumas cenas para ganhar troféus, era obrigado a ver horas de falas sem necessidade, sabendo já o que vinha aí, o que tornou a experiência aborrecida.

Lê mais:  Tiny Tina's Wonderlands | Análise

Estes episódios captam perfeitamente o ritmo dos famosos filmes de terror, sabendo exatamente onde e quando “apanhar” o jogador, providenciando uma experiência bastante divertida. Juntamos ainda a isto inúmeros easter eggs alusivos aos filmes que originaram este género, sendo claro, o maior deles todos, a presença do pioneiro do género David Arquette.

Outra quezília que tive com o jogo foi ao disparar. O tutorial indica-nos que devemos esperar que os inimigos se aproximem (não demasiado claro) para que o tiro realmente conte, mas numa sequência em específico, esperarmos pelo inimigo e dispararmos leva sempre a morte certa, sendo que a única opção para conseguirmos sobreviver é disparar a uma boa distância, algo que me fez perder umas quantas vidas.

Relativamente à vertente audiovisual, creio que acertaram na mouche com a estética.

O jogo é muito(!) escuro, mas não o impede de demonstrar visuais bastante realistas, com claro foco nas personagens (que são o que realmente interessam). A atmosfera no geral é bastante evocativa dos filmes de terror, incluindo os ecrãs que surgem quando optamos por um determinado caminho, relembrando as cassetes VHS. Embora esteja a 30fps, não creio que sofra com esta decisão visto que são muito poucos os momentos em que controlamos as personagens, e quando as realmente controlamos é apenas para exploração em locais limitados.

O áudio está surreal. Não só na mistura mas também no timing. Quase parece que leram o santo graal do que torna um momento assustador e foram a 200% para todos os momentos onde pretendiam o efeito. Para além disto as falas são entregues com bastante convicção, o que ajuda com a imersão no pânico, felicidade, desespero ou até desilusão amorosa. A banda sonora acerta em 80% das vezes, surgindo momentos de elevada tensão onde do nada começa a tocar uma música acelerada, no entanto são raríssimas as vezes em que isto acontece.

Agradecemos à Info Capital por nos ter cedido um código para análise na Playstation 5.

CONCLUSÃO
Cativante
8.0
the-quarry-analiseThe Quarry traz a qualidade padrão da Supermassive num tiro na mouche do que capta nos filmes de terror. Existem bastantes decisões para construirmos a nossa narrativa, e embora pudessem ser mais concretas, dão-nos hipóteses para voltarmos ao caminho certo. Uma aventura curta mas repleta de momentos cativantes.