Já lá vai o tempo em que via episódios dos smurfs (“estrunfes” em português ou o nome, em espanhol, com que eu sempre os conheci, os “pitufos”) e jogava alguns dos seus jogos, especialmente o The Smurfs Nightmare para o Game Boy Color. 

Esta é uma proposta diferente ao que estou habituado a analisar aqui, na Squared Potato, a qual aceitei com uma grande entusiasmo para ver o que têm para oferecer estes adorados personagens.

Será um jogo à altura ou apenas estará a tentar tirar proveito do nome? Fiquem para descobrir.

Alianças improváveis

Numa tentativa de colocar em funcionamento a sua TurboMix, o Handy Smurf, juntamente com outros colegas, aventuram-se na casa do seu inimigo, o maléfico Gargamel, para obter uma pedra verde que irá colocar a TurboMix a plena potência. Mas nem tudo sai como queriam e além de serem descobertos por Gargamel, dentro dessa pedra existe um ser, que acaba por ser solto e agora está a causar o caos nas terras em redor. 

Contra todos os pronósticos, os Smurfs decidem unir forças (ou melhor, as cabeças) com Gargamel para limpar os seus redores e pôr um fim ao inimigo em comum, Stolas. Serão eles capazes de trabalhar juntos e deter Stolas?

A história é simples, sem grandes momentos de exposição, com exceção dos momentos introdutórios. As cinemáticas ajudam a reforçar a imersão. É um tipo de história para todas as idades.

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Uma nova ameaça leva à colaboração dos Smurfs com o seu eterno rival Gargamel

Um novo caminho

Algo que me chocou muito ao início foram as vozes e personalidades dadas aos Smurfs. Admito que estou mais habituado às vozes da série animada, apesar de saber que no filme feito em imagem real, as vozes já seguem outra direção. O mesmo se passa com o jogo anterior. No geral, achei a escolha destas vozes e a personalidade dada aos Smurfs, como sendo ligeiramente desagradáveis, tanto a de Smurfs que já conhecia como outros que nunca tinha visto/recordava. Coisas como constatar o óbvio, algumas piadas que não entendo e aquela sensação de quererem transmitir um ar de “ser fixe” deram comigo revirando os olhos algumas vezes.

Ao já ter uma ideia pré-concebida dos personagens, entendo que este ponto me poderá ter chocado mais. Acredito que tanto novos jogadores como o público alvo em si, destes novos Smurfs, deverão gostar do trabalho que foi feito.

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Estes novos Smurfs não são bem como os recordava

Um passeio pelo bosque…e não só

Em The Smurfs 2: The Prisoner of the Green Stone, estamos perante um divertido e acessível jogo de plataformas misturado com shooter (disparos), muito à semelhança de Ratchet e Clank, para terem uma ideia. 

As partes de plataformas (de saltos em termos mais conhecidos) são bastante simples, sem dificuldades de ter que calcular o tempo do salto, excetuando umas raras excepções. 

Na parte de disparos, novamente, é muito acessível, tanto pela dificuldade como pelos controlos. Com a nossa fiável TurboMix teremos à disposição vários tipos de projeteis. O principal projétil é o que provem da pedra verde, sendo os disparos ilimitados. Depois temos outros como o disparo de mel, projéteis super-rápidos, de curto alcance e que podem provocar que os inimigos não se mexam. Cada uma das diferentes substâncias podem ser melhoradas em diversos aspetos, através do uso de uma certa essência que conseguiremos ao destruir cristais verdes e derrotar inimigos. Temos também alguns ataques de curto alcance e um botão para esquivar (e alcançar maiores distâncias ao saltar).

Controlaremos mais de um Smurf. Além de cada um ter uma personalidade bem diferenciada, contam também com uma habilidade de combate especifica: a corajosa Smurfstorm, por exemplo, tem à sua disposição uma flecha superpoderosa, capaz de acabar com qualquer inimigo. Estas habilidades individuais também podem ser melhoradas com a essência que se extrai de uma planta que, por norma, está escondida nos cenários.

Tenho a dizer que, inicialmente, fiquei desiludido com a falta de profundidade e dificuldade dos seus sistemas, mas tive sempre em mente o público-alvo a que se dirige este jogo. Aos mais jovens, inclusive, pode ser um bom jogo introdutório neste mundinho. Os tutoriais ensinam facilmente tudo o que necessitam saber. Existem também diferentes níveis de dificuldade.

São as poucas lutas contras chefes e as batalhas nas diferentes arenas, escondidas nos mapas, onde se encontrará os grandes desafios do jogo. 

Também existe à disposição um modo multi-jogador para que um amigo ou familiar se possa juntar à aventura. 

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Apesar da sua facilidade e acessibilidade há uma que outra luta que nos exigirá um pouco mais

Uma visão com dimensões

O jogo possui um estilo visual com cores bem fortes e cenários com grande beleza. Apesar de não possuírem elementos artísticos únicos, a sensação de estarmos num mundo mágico é constante.

Devido à sua reduzida dimensão, os cenários regulares são vistos como gigantes para os nossos Smurfs. Senti que houve áreas em que essa sensação não acontecia, parecia até que o Smurf tinha o tamanho “normal” de um humano, foram alguns casos pontuais.

Na PS5, apanhei uma ou outra textura de baixa qualidade e alguma que outro elemento que aparecia no ecrã já bem próximo de nós, realmente nada de mais. O jogo corre bastante fluído e a qualidade de imagem é bem agradável, nesta versão.

Algumas animações durante as cinemáticas não estão de todo conseguidas ou simplesmente estão reduzidas ao movimento mais básico.

Existem, ainda, elementos cosméticos para mudar o aspeto do nosso Smurf.

Sons de sonho

A música presente no jogo surpreendeu-me muito pela positiva na forma como se complementa com o cenário e o sistema jogável acessível. É, na maioria dos casos, uma música ambiental, onde consegues “sentir” os instrumentos, levando-me a uma grande sensação de relaxamento enquanto jogava. Isso sim, não sei se um jogador mais novo terá esta mesma perceção. Durante os combates a música ganha força e dinamismo e aí sim, vai muito ao que caberia de esperar numa aventura para os mais pequenos.

Existem diversos efeitos de som que complementam o pacote.

É no trabalho de vozes onde perdi parte dessa imersão, não conseguindo conectar com os personagens devido à direção escolhida para as vozes. O trabalho dos actores é de louvar e acredito que os mais pequenos vão gostar. Uma pena que as vozes apenas estejam em inglês, francês e alemão. Ao menos possui uns textos em português do Brasil para poderem seguir a história.

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Um jogo divertido que nos mergulha no mundinho dos Smurfs

(O jogo foi analisado na sua versão para a PS5, estando também disponível para a PS4, Xbox One, Xbox Series, PC e Switch)

Agradecemos à Microids por nos ter cedido uma chave para análise.

CONCLUSÃO
Smurftástico
7.3
Bruno Cavaco
Grande apaixonado pelo mundo dos videojogos, destacando a sua predileção por RPGs e jogos japoneses no geral. Licenciado em Gestão de Marketing, continua a planear o caminho que deve seguir. Um fã da Eurovisão dos pés à cabeça.
the-smurfs-2-the-prisoner-of-the-green-stoneThe Smurfs 2: The Prisoner of the Green Stone foi um jogo que foi de menos a mais. É preciso ter em conta o seu público-alvo, os mais novos lá de casa, e nesse sentido é um jogo mais que recomendado. É simples, divertido e com uns personagens que todos gostamos. Para mim, como jogador mais experiente que sou, quanto mais avancei, mais me fui envolvendo com o que o jogo oferecia. A sua reduzida dificuldade começou a ser mais apreciada e, juntamente à sua parte visual e banda sonora, tornou-se numa experiência bem relaxante.  Um jogo recomendado para todos que pode ser uma boa prenda de natal para os mais pequenos lá em casa, ainda para mais a um preço abaixo do habitual dos novos lançamentos.