A série The Stranger tem vindo a angariar seguidores desde a sua chegada à TV em Janeiro deste ano, e não é para pouco. Baseada no livro de Harlan Coben, com o mesmo nome, é o mais recente thriller da Netflix.

A História

Quando menos se souber sobre The Stranger, melhor a experiência (a meu ver).

Pessoalmente, comecei a ver a série sem grande conhecimento sobre do que se tratava, para além de uma vaga noção de que havia “uma estranha” que sabia os segredos de outras pessoas, o que viria a virar as suas vidas do avesso.

E, para qualquer espectador curioso, não há muito mais que precise de saber. No entanto, para aqueles que não estão totalmente convencidos, aqui fica uma pequena sinopse:

Adam Price parece ter a vida perfeita – dois filhos fantásticos, e um casamento sólido – até que uma estranha o aborda num bar e revela um segredo chocante sobre a mulher de Adam, Corinne.

A partir daí, é uma verdadeira avalanche.

O Ambiente

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Trata-se de uma produção britânica, filmada na sua integridade em Manchester, e realmente temos a sensação de entrar nos subúrbios de uma grande cidade onde se escondem os mais sórdidos segredos das mais abastadas famílias.

Temos acesso às suas vidas, que são, à primeira vista, perfeitas. Mas ao olharmos de mais perto conseguimos ver as pequenas rachas na porcelana e ficamos obcecados em tentar perceber o que se esconde por trás. O choque vem um atrás do outro, sem nunca ficarmos dessensibilizados.

O ambiente é de tensão quase do princípio ao fim, com momentos de suster a respiração por completo enquanto ansiamos pela revelação seguinte.

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No entanto, tudo o que se vai passando é plausível e realista, uma qualidade que parece perdida em muitas películas do género quando os escritores caiem na armadilha do “sensacionalismo”, com o único propósito de chocar, entreter e encenar puras fantasias.

The Stranger soube manter esse equilíbrio, e fê-lo muito bem.

O Impacto

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Existe alguma violência, mas não demasiada que desvie a atenção da história ou que se sinta ser gratuita. Reviravoltas de nos deixar tontos. Uma constante busca pela verdade. A preocupação por personagens a que nos vamos apegando ao longo da série, e que desejamos ver triunfar no final. E, claro, a ânsia por ver os maus da fita a receberem o que merecem.

Apesar de a história principal se focar na família Price e no papel que A Estranha tem nas suas vidas, as ramificações ligadas a outras personagens são quase infinitas e levam o espectador a especular constantemente, tentando acompanhar o desenvolvimento do enredo e perceber a conexão entre tudo. Admito que, por vezes, se tornou difícil.

Novas pistas vão surgindo, novas revelações são feitas, e lealdades tornam-se difusas em momentos-chave. Somos obrigados a esperar mesmo até ao último minuto, quando as cartas finalmente são postas na mesa.

O Elenco

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Nomes de peso como Richard Armitage (The Hobbit), Siobhan Finneran (Downtown Abbey), Shaun Dooley (A Mulher de Negro), Stephen Rea (V de Vingança), Jennifer Saunders (Shrek 2), Anthony Head (Buffy, A Caçadora de Vampiros), e Paul Kaye (Guerra dos Tronos) roubavam a cena assim que nela entravam, deixando-nos sem saber em quem confiar.

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Dervla Kirwan (Ondine) é a personagem mais envolta em mistério de todas, visto estar no grande centro da trama, e até ao final não sabemos bem o que fazer dela.

O elenco mais novo, composto por Jacob Dudman (Medici), Brandon Fellows (Raised By Wolves), Ella-Ray Smith (Into the Badlands) e Kai Alexander (Catastrophe) conseguiu vestir bem a pele de adolescentes irreverentes com os problemas familiares e amorosos comuns da idade, que de repente se vêem no meio de várias situações sinistras sem saber como lidar com isso.

Finalmente, Hannah John-Kamen (Ant-Man e a Vespa) encarnou a Estranha como uma luva, conseguindo transmitir uma panóplia de emoções através de uma simples expressão facial, e equiparando-se mesmo a actores velha-guarda no mesmo meio.

O Menos Bom

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Algumas das ramificações de que falei anteriormente não obtiveram a atenção devida, deixando-me com muitas perguntas. O que aconteceu à personagem x depois de y?

Talvez o livro tenha expandido mais nessas questões, ou as tenha abordado de forma completamente diferente (como é normal). Mas na série, só por si, sinto que não lhes foi dado ênfase suficiente, chegando mesmo a receber um tratamento algo superficial.

O episódio final, apesar de extremamente atribulado e cheio de acção nos primeiros dois terços, teve uma edição um pouco estranha que veio a perturbar um pouco o fluxo dos acontecimentos. Desta forma, o fim acabou por ser algo insatisfatório e apressado nos últimos minutos.

De resto, não consigo encontrar mais nada a apontar em The Stranger.

CONCLUSÃO
Viciante
8.5
the-stranger-ha-segredos-que-matamThe Stranger é um fantástico thriller cheio de mistério e suspense que apelará até aos não-fãs do género pelo seu charme e capacidade de prender a atenção do espectador do início ao fim. Apesar de apenas ter 7 episódios, cada um com cerca de 50 minutos, conseguiu construir uma narrativa concisa e viciante, perfeita para binge-watch nesta quarentena. Sinto que alguns dos detalhes deixados de lado em prol da história principal poderiam ter sido explorados mais a fundo de forma a satisfazer a curiosidade do espectador, mas aqueles que não se importam com fins mais abertos não terão qualquer problema em mergulhar nesta nova aposta da Netflix.