A música está cada vez mais forte no mercado de experiências em realidade virtual. Com o tempo viemos a passar de Beat Sabers e Pistol Whips, para versões VR de Guitar Hero com Unplugged, Ragnarock, e afins. A promessa parece ser levar-nos a realizar o sonho de tocarmos os instrumentos musicais que quisermos sem termos de despender de rios de dinheiro e de uma sala especial nas nossas casas para os termos. Hoje, trago-te o próximo passo nessa direcção, com Virtuoso a não ser mais um jogo VR, mas sim um software de criação musical em realidade virtual.

Desenvolvido pela Really Interactive e publicado pela Fast Travel Games, Virtuoso apresenta-se como um ambiente virtual onde podes vestir a pele de um intérprete e soltar a tua criatividade musical para criares as tuas próprias obras. Posto isto, é de se deixar bem claro que aqui não terás quaisquer músicas à tua espera para tocares como no caso dos jogos musicais em VR. É de se deixar clara essa distinção pois não há quaisquer objetivos ou metas a perseguires em Virtuoso, e mais como uma ferramenta de trabalho terás sim o desafio autoimposto de criares as tuas próprias músicas sem quaisquer imposições externas. 

De uma forma simples, descrever Virtuoso é como trabalhar com o Garage Band mas em ambiente virtual. No entanto, ao passo que no Garage Band já tens loops instrumentais pré-feitos, aqui tens de ser tu a criar tudo do zero. É te dado o barro e agora tu tens de saber moldá-lo e esculpi-lo totalmente da tua cabeça, o que para quem já tem formação musical é mais que perfeito, um excelente início, mas para quem é só curioso terá uma entrada atribulada. Está mais que visto o nicho de público para quem esta experiência foi construída. No entanto é de salientar que Virtuoso também tem alguns aspectos desenhados a pensar no comum e curioso mortal que queira criar música sem qualquer sentido de ritmo e de tempo.

A minha primeira nota, é que para tirar o máximo de conforto desta experiência, é preferível teres um lugar amplo onde te possas mover livremente, sem quaisquer objectos a obstruir o teu caminho. Isto para que possas à vontade distribuir no espaço virtual os instrumentos e menus de Virtuoso. Embora seja possível estares sempre a trocar de instrumento no mesmo lugar, como que a minimizar uma janela de computador e a abrir outra, não é muito prático trabalhar desta forma e o ambiente sente-se inclusive um pouco claustrofóbico se estiveres sempre a trabalhar assim. Além de que vais ter menus a sobreporem-se e a complexar o que podia ser um ambiente de trabalho simples, divertido e livre.

Lê mais:  The First Descendant | Novo shooter dá o tiro de partida ao Tokyo Games Show

Posto isto, senta-te confortavelmente e toma nota de um breve tutorial que te irá guiar desde os controlos e instrumentos que podes escolher tocar, a ajustes nos respectivos menus para os configurares e até à tua própria primeira gravação de música. Terminado este tutorial, agora é contigo. É de salientar que Virtuoso deixa-te baixares as tuas músicas, e ainda tem suporte para MIDI para que possa ser utilizado com qualquer programa profissional de criação de música.

A respeito dos controlos, é de frisar que à excepção da bateria e do microfone, todos os restantes quatro instrumentos possuem 3 níveis de interação: o trigger permite tocar as notas num eixo horizontal (como já é costume) ou seja para a esquerda e direita, o botão do polegar permite tocar as notas dum eixo vertical, de cima para baixo e vice-versa, e o botão de agarrar toca num eixo em profundidade, para a frente e para trás. Isto resulta em notas diferentes que podes manipular, e inclusive podes conjugar estas interações numa só nota para criar algo como acordes. 

Na questão do ritmo a que tocar as notas, é possível definirmos um Metrônomo que vai produzir umas leves vibrações nos comandos e que ajudam o utilizador a manter-se em sincronia com os tempos. Isto é especialmente desenhado para os utilizadores mais curiosos que querem criar música como um hobby, e não para o público mais profissional, mas vejo na mesma os benefícios que estes poderão retirar desta função. O metrônomo permite-te definires o tempo das notas, que podem ir de ¼ (um compasso com 4 tempos) a 1/32. Desta forma, podes tentar tocar a 64 tempos, que o que será marcado e que irás ouvir é somente os tempos que definiste. Ou seja, por pior sentido de tempo que possas ter, ou de ritmo, o instrumento só irá tocar quando a tua batida coincidir com o tempo que definiste, e consequentemente só essas notas serão gravadas.

Lê mais:  State of Play | A melhor maneira de fechar a noite!
Virtuoso vr-2

Algo que penso que acrescentaria valor à experiência de Virtuoso, seria se pudéssemos desenvolver uma biblioteca de loops, uma vez que é uma das ferramentas fulcrais com que trabalhamos aqui na construção das músicas. Quando digo loops digo portanto trechos de instrumentos que mais tarde poderíamos re-aproveitar de umas músicas para outras, para construirmos versões diferentes e melhoradas da melodia que queremos criar. Uma espécie de secção à semelhança do Garage Band, mas totalmente populada pelos nossos próprios trechos originais nos instrumentos. Isto porque o que acontece neste momento é que só consegues criar a tua playlist de músicas, e é apenas a isso que se resume este software. Tens uma secção onde podes ver as músicas mais populares criadas por outros utilizadores em Virtuoso, e é isto.

A par da bateria, que és tu que a constróis colocando os pratos e fazendo todo o setup como o desejares, e de um microfone que grava a tua voz, mencionei acima a existência de mais quatro instrumentos. Estes, infelizmente sinto que são demasiado semelhantes em termos de representação audiovisual, sendo que graficamente não vês os instrumentos em si mas uma representação conceitual dos mesmos, que é um conjunto de cubos onde cada qual é uma nota diferente. Estes instrumentos são um Orgão, uma Harpa, um Xilofone, e uma Board, e cada um vem acompanhado pela mesma variedade de timbres diferentes que nos permitem associar a diferentes estilos de música. 

Virtuoso vr-3

Alguns exemplos são Lo-fi, Bass, Nature Beast, e o Eighties que me recorda as sythwaves daquele retro puro, e por aí fora. Sinto no entanto que a oferta de instrumentos é pouca, o que por serem um pouco semelhantes também não ajuda. Sinto também que estes timbres diferentes pendem muito para o mesmo tipo de registo muito techno. Espero que a Really Interactive tenha nos planos incrementar mais instrumentos, timbres, e conteúdos que nos façam querer regressar, pois atualmente sinto isto um bocado limitado demais e vazio. Além disto, temos menos de uma mão cheia de cenários onde nos podemos inserir, e a parte engraçada destes é que reagem à nossa melodia consoante a batida e os tempos que tocamos. Fiquemos atentos ao que o futuro reserva a Virtuoso.

Virtuoso está disponível para Meta Quest e Steam VR.

CONCLUSÃO
Um ponto de partida.
7
Apaixonada pelo mundo do cinema e dos videojogos. A ficção agarrou-me e não me largou mais! A vida levou-me pelo caminho da Pós-Produção, do Marketing e da organização de Eventos de cultura pop, mas o meu tempo livre, dedico-o a ti e à Squared Potato.
virtuoso-analiseVirtuoso é um software de criação musical em realidade virtual. Com 6 instrumentos onde se incluí bateria, microfone e um orgão, e uma mão de definições que podemos utilizar para brincar com as notas e os tempos, sente-se que Virtuoso é apenas a ponta do iceberg da sua capacidade. Esperamos que a Really Interactive tenha ainda um longo road map para nos entregar mais instrumentos e formas de expressarmos a nossa criatividade através da música.