Na minha infindável busca por estar informado para a noite dos Óscares, (spoiler: não consegui ver todos, como é óbvio mas consegui ver todos os nomeados na categoria de melhor animação) deparei-me com Arco, um filme de animação francês que me cativou pelo poster com cores vibrantes e animação 2D que acaba por ser raro nos dias de hoje para filmes provenientes do Ocidente. Sabia que estava relacionado com o arco-íris e que os protagonistas eram crianças, tirando isso não sabia bem mais o que esperar. Eu não sabia que o filme era francês e vi com a dobragem inglesa que saiu nos Estados Unidos, sendo assim não vou comentar sobre atuações ou atores de voz visto que não é a versão original do filme.
No futuro distante, os seres humanos vivem em àrvores metálicas pois é o único lugar em que podem viver devido à subida do nível das àguas e de um cataclismo que houve no mundo. No entanto, os seres humanos conseguiram, de alguma maneira, usar os poderes do arco-íris e da refração da luz num diamante para viajara no tempo com o objetivo de recolher amostras do passado para fins incertos. A maturidade atribuída para um ser humano poder realizar essas viagens no tempo é atingida aos 12 anos, e Arco é um rapazinho que ainda não tem 12 anos mas quer muito viajar no tempo para ver dinossauros. No entanto, os seus pais não o deixam fazer isso porque ele não tem idade suficiente. Arco decide roubar os trages e diamante da sua irmã e ir ver um dinossauro sozinho; tudo corre mal e ele acaba por ficar preso no ano de 2075 onde conhece Iris, uma menina criada com por um robô com o seu irmão porque os pais trabalham noutro planeta.
Deste modo, o menino que queria uma pausa dos seus pais para ser mais livre conhece a menina que só queria que os pais lhe dessem um pouco de atenção e, depois de reparar que na queda Arco perdeu o diamante que lhe permitia controlar a luz porque três irmãos que parecem UFOlogos que têm um culto ao ser do arco-íris roubaram o diamante para ter uma chance de comunicar com Arco, começa a vida diária com o rapaz do futuro enquanto tenta de várias maneiras que o rapaz volte para o seu tempo, enquanto não entende que tal como os seus pais este também terá que abandoná-la.

É um filme, em sua essência, terno e fofo, baseado em amizade mas penso que não seja suficiente para cativar a maioria das pessoas a nível de escrita. Mais uma vez, o world building é apenas uma mera justificação para o filme acontecer; houve uma tragédia climática, as pessoas descobriram viagens no tempo mas só podem controlar a tecnologia a partir de exatamente os 12 anos e antes disso nem podem fazer viagens acompanhadas. São responsáveis por analisar plantas e animais do passado por razões que o filme não se interessa em explicar, mesmo mais perto do clímax do filme existe um incêncido que é causado pura e simplesmente para haver mais drama no clímax do filme mas não vemos diretamente a causa do incêndio, os pais trabalham noutro planeta num emprego que não se sabe exatamente qual é nem se sabe porque as crianças têm de ficar noutro planeta separados dos pais nem porque é que os pais não podem ser hologramas no trabalho enquanto tratam de crianças pequenas.
O filme mostra que a Inteligência Artificial e a robótica são usadas para tirar as nossas “distrações” do trabalho ao invés de aumentar a qualidade de vida, e nada, nenhum destes casos tem alguma lógica dentro do filme para ser assim. Até a parte interessante de os robôs sintetizarem uma voz que é uma fusão da voz do pai e da voz da mãe provavelmente para deixar as crianças mais tranquilas é inferido pelo espectador e é provavelmente a melhor parte do world building.

Além dos 2 personagens principais, existe o Mikki, o robô cuidador de Iris e do seu irmão; este personagem mostra que as máquinas apesar de competentes não vão conseguir substituir o toque e o cuidar humano e uma criança que sente falta dos pais não vai estar feliz com este tipo de cuidados; uma crítica senso comum à atual tendência de colocar Intligência Artificial em tudo das nossas vidas. Os 3 irmãos são apenas alívio cómico muito espalhafatoso com piadas e deixas muito infantis, que no final têm um momento que os humaniza e é suposto desuclpar o tempo perdido em palhaçada causado por estes personagens que certamente seriam do meu agrado caso fosse uma criança. Existe também o amigo de Iris que tem uma pequena paixãozinha na protagonista e vê o seu lugar ameaçado pela chegada de Arco, este arco de personagem é interessante porque já uma criança entende e age face ao amor de maneira altruista, priorizando a felicidade do seu interesse amoroso acima de si mesmo, foi interessante ver isso num personagem tão novo, pena que o filme não decida se focar tanto nisso.
Os traços como mostrados na imagem nesta análise não são muito o meu estilo, normalmente prefiro olhos menos amendoados e feições menos duras mas é apenas gosto pessoal e não posso negar que as cores vibrantes e a animação 2D do filme sejam o seu ponto mais elevado, juntamente com a sua música que beira o épico quando precisa ser. Não sei se por escolha artística mas sinto que há alturas no filme que o framerate baixa um pouco e fica um pouco mais aos cortes, achei meio estranho pois prejudicou a fluídez contínua de certas cenas, pesquisei e li que era para dar um estilo mais analógico e menos digital; não tenho a certeza se é a escolha mais certa mas deve haver pessoas que gostam. Fica mesmo as cenas de cores vibrantes e bem animadas que permitem abstrair da história insuficiente e da falta de foco e dos personagens infantis.

Acho que muito do burburinho à volta deste filme se cinja nas cores vibrantes e na animação 2D e numa viagem no tempo para toda a família mas não há sentido suficiente na pressa para que o climático e dramático final “acerte a aterragem” e faça com que os nossos corações se comovam, ou pelo menos não aconteceu comigo.
Gostaria de saber qual seria o “projeto para os domos” naquele planeta, mais sobre o amigo de Iris, mais sobre a missão das pessoas do futuro e o porquê das amostras que recolhem através do tempo; talvez se se cortasse as piadas de Dougie, Stewie e Frankie houvesse outro filme com mais sumo, mas como está é um passa tempo talvez para uma faixa etária mais nova ou quem só queira ver uma amizade fofinha entre um rapaz e uma rapariga que invejam os pais que o outro tem e depois chegar ao fim com algo que tenta encaixar tudo num quê de necessidade. Dos 5 nomeados para o Óscar de animação, este estaria em quarto lugar, apenas acima de Elio que não conseguiu mesmo fazer nada de novo e recorreu a todos os tropos de animação Disney num fime sem alma.




























