Dois primos de Toulouse em França, decidem fazer um novo jogo. O resto irá ficar para a história… com ajuda de pessoas pontualmente na música e testes, o verdadeiro método de Minishoot’ Aventures é baseado na pura paixão e na vontade de criar uma experiência divertida e alegre, e honestamente, foi do melhor que joguei este ano.
E há algo de especial quando um jogo nasce de uma equipa minúscula. Não estamos a falar de um estúdio com dezenas ou centenas de pessoas, mas sim de duas pessoas com uma ideia clara: fazer algo divertido. Minishoot’ Adventures, desenvolvido pela SoulGame Studio, encaixa perfeitamente nessa descrição. É um daqueles títulos que, à primeira vista, pode parecer simples ou até modesto, mas que rapidamente revela uma personalidade enorme e uma jogabilidade viciante que nos agarra durante horas.
A premissa mistura várias influências que à partida podem parecer improváveis, mas que aqui funcionam surpreendentemente bem. Estamos perante um twin stick shooter com fortes elementos de bullet hell, mas também com uma estrutura que bebe muito do espírito dos clássicos Metroidvania. O resultado é uma aventura em top-down onde exploramos um mapa interligado, desbloqueamos novas habilidades e regressamos a áreas antigas com novas ferramentas para descobrir segredos que antes estavam fora do nosso alcance.
Desde os primeiros minutos percebemos que estamos perante um jogo extremamente fluído. Os controlos são responsivos, intuitivos e rapidamente entram no modo automático do cérebro. Movemos a nossa pequena nave com um analógico e apontamos com o outro, disparando contra hordas de inimigos corrompidos que enchem o ecrã de projécteis coloridos. É aquele tipo de jogo que dizemos a nós próprios que só vamos jogar um pouquinho e quando damos por ela passaram duas ou três horas sem sequer reparar.
A verdade é que Minishoot’ Adventures tem aquele charme viciante que nos faz querer ver tudo até ao fim. Mesmo depois de terminar a campanha principal, existe sempre aquele impulso de voltar atrás e limpar o mapa, encontrar todos os segredos e completar o jogo a 100%. Felizmente, isso é algo perfeitamente alcançável, já que uma exploração completa ronda cerca de 10 horas, o que acaba por ser um tempo ideal para este tipo de experiência.
Outro dos grandes destaques do jogo é a forma como o progresso é apresentado. Ao longo da aventura vamos desbloqueando novos poderes e habilidades, cada um trazendo novas possibilidades tanto em combate como na exploração. Alguns permitem atravessar certos obstáculos, outros aumentam a capacidade ofensiva da nossa nave, e muitos podem ser melhorados através de um sistema de evolução que nos permite personalizar ligeiramente o estilo de jogo.
É um sistema simples, mas incrivelmente eficaz. Cada novo poder traz consigo uma sensação de progressão muito satisfatória e muitas vezes abre novas ramificações no mapa que antes pareciam impossíveis de alcançar. E é precisamente no design do mapa que Minishoot’ Adventures volta a brilhar.
O mundo está muito bem estruturado, cheio de caminhos alternativos, passagens escondidas e pequenas surpresas que recompensam a curiosidade do jogador. Vamos encontrar grutas, passagens subterrâneas, zonas aquáticas e diferentes ambientes que ajudam a dar variedade à aventura. Não é um mapa gigantesco, mas é denso o suficiente para manter a exploração constantemente interessante. Há sempre algo novo a descobrir, seja um fragmento de mapa, um upgrade escondido ou simplesmente uma nova área que nos leva a um boss inesperado.
Visualmente, o jogo opta por uma abordagem minimalista mas extremamente charmosa. Os gráficos são simples, limpos e coloridos, permitindo que toda a ação no ecrã seja facilmente legível, algo fundamental num jogo onde centenas de projécteis podem estar a voar em simultâneo. Mas talvez o elemento mais surpreendente seja a banda sonora.
A música de Minishoot’ Adventures é simplesmente brilhante. Há uma energia nostálgica nas composições que me fez lembrar imediatamente os clássicos filmes animados do Astérix (e prometo que não é por serem Franceses). Existe ali uma vibração muito específica, quase como se estivéssemos a assistir a um daqueles cartoons europeus clássicos, com melodias alegres e aventureiras que encaixam perfeitamente no tom do jogo. É daquelas bandas sonoras que ficam na cabeça muito depois de pousarmos o comando.
Apenas um pequeno problema (versão PlayStation 5) me apareceu ocasionalmente: o som falhava durante breves momentos durante os tiroteios. Nada de catastrófico, e felizmente não aconteceu com grande frequência, mas foi algo que notei ao longo da aventura. Não sei se este problema também acontece noutras versões de consola, mas vale a pena mencionar. Ainda assim, este pequeno detalhe está longe de comprometer aquilo que é uma experiência extremamente sólida.
Minishoot’ Adventures é um daqueles jogos que provam que não é preciso um orçamento milionário para criar algo memorável. Com mecânicas simples, um design inteligente e uma clara paixão por trás do projecto, a SoulGame Studio conseguiu construir uma aventura divertida, viciante e cheia de personalidade.
Agradecemos à editora pela cedência de uma cópia digital para análise.






























