A mascote sem membros mais conhecida dos videojogos está de volta para celebrar um aniversário redondo. A Ubisoft, em parceria com a Digital Eclipse, celebra os trinta anos de «Rayman» com um relançamento do jogo original da geração 32 bits. Será que estamos perante de uma tentativa forçada de apelar a uma compra de impulso para os jogadores nostálgicos e saudosistas ou será que é um regresso com “pés e cabeça”. Eis o veredito da Squared Potato

Tal como a tendência da indústria dos videojogos nos anos 1990, Rayman surge como uma proposta por parte da Ubisoft – uma desenvolvedora francesa pouco conhecida na alturaem ser um concorrente face ao Super Mário e ao Sonic. Começou originalmente como um projeto para o Super Nintendo CD (periférico que acabou por nunca sair no mercado) mas rapidamente passou para a Atari Jaguar e a Sony Playstation.

Fruto da mente do designer Michel Ancel, Rayman destacava-se pelo facto de não possuir membros no seu corpo e da sua postura concomitantemente descontraída e estilosa. Juntamente com a estética de cores vibrantes e altamente detalhada do mundo que o envolve, «Rayman» foi, de facto, uma “pedrada no charco”. O jogo fez parte do conjunto de jogos que acompanhou o lançamento da consola da Sony em 1995 tanto no mercado norte-americano como no europeu.

Apesar do design apelativo para um público mais novo, «Rayman», na verdade, é um dos jogos de plataformas mais exigentes dessa década. Era um verdadeiro teste de paciência e aprendizagem para o jogador (e também de muita frustação à mistura). Éramos seduzidos pelo “canto das sereias” (tal como Luís de Camões escreveu n’Os Lusíadas) que, neste contexto, era o aspeto “cartoonesco” de «Rayman» contudo, levávamos com “uma onda no focinho” sob a forma de level design implacável e controlos que deixam pouca margem para o erro.

Duro de roer (para várias versões)

Bom e passados 31 anos (sim, porque este relançamento é editado um ano depois do seu aniversário redondo), «Rayman 30th Anniversary» é o mesmo jogo lançado nos anos 90, mas com alguns ajustes e melhorias (as chamadas quality of life). Em primeiro lugar, este pacote inclui as diversas versões do jogo lançadas ao longo dos anos. Inclui, por exemplo, de forma inédita, «Rayman» da Atari Jaguar que foi uma consola que teve pouco sucesso a nível mundial e, hoje em dia, é, praticamente, apenas uma nota de rodapé na comunidade retro. Para quem conhece minimamente a versão da Playstation e da Sega Saturn (que são praticamente iguais entre si), vai notar diferenças, tanto a nível de apresentação gráfica como sonora.

Por falar em som, existe uma diferença notória entre o lançamento original de Rayman com esta re-edição: a banda sonora. Apesar de ter ainda alguns dos temas icónicos, a música, nesta nova versão, foi composta por Christophe Héral, que trabalhou também em outros títulos da Ubisoft como «Rayman Legends» e «Beyond Good and Evil». Apesar de não haver confirmação oficial relativamente ao porquê da alteração da banda sonora original de Rémi Gazel, mas suspeita-se que seja por motivos de licenciamento. Apesar de cumprir, está a “anos-luz” dos temas originais.

Para além da versão Playstation e Jaguar – assim como as versões para consolas portáteis – a versão PC também está incluída, considerada pelos fãs também como a versão mais aprimorada de Rayman. Pela primeira vez, as diversas expansões que o jogo teve ao longos dos anos para esta plataforma, que inclui níveis inéditos e ainda mais desafiantes. É, realmente, impressionante o nível de compromisso por parte da Digital Eclipse e da Ubisoft em preservar estes pedaços históricos de «Rayman». Antes disso, era muito difícil conseguir colocar a versão PC a rodar em computadores modernos.

Ao contrário da versão Playstation, que possibilita uma resolução adaptada para 16:9, a versão PC não permite esse ajuste mas, em contrapartida, os filtros “CRT” apresentados recriam com alguma precisão os monitores TFT dos computadores da época. Há bastante combinações visuais para todos os gostos.

A questão da dificuldade do jogo em si foi abordada e para evitar frustações (ou reavivar antigos traumas), «Rayman: 30th Anniversary Edition» disponibiliza a funcionalidade “rewind” e “save states” em qualquer parte do jogo (universal para as várias versões incluídas). Apesar disto, Rayman continua a ser um desafio constante e para chegarmos ao derradeiro boss para enfrentarmos o antagonista – o implacável Mr Dark – temos de libertar todos os Electoons espalhados ao longo dos níveis. Muitos desses são apenas acessíveis quando adquirimos novas habilidades de Rayman como correr ou planar durante um curto espaço de tempo.

Relativamente ao conteúdo bónus, «Rayman: 30th Anniversary Edition» inclui novas entrevistas feitas à equipa original que revela novas perspetivas sobre o desenvolvimento do jogo. Como pormenor curioso, o protótipo original foi incluído nesta coletânea, que evidencia mais uma vez, o cuidado que esta edição comemorativa teve.

Rayman: 30th Anniversary Edition já está disponível para a PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e na STEAM para PC. 

Agradecemos à editora a cedência de uma cópia para análise na Playstation 5.

CONCLUSÃO
Cabeça. tronco e membros
7
rayman-30th-anniversary-edition-analise«Rayman: 30th Anniversary Edition» é, declaradamente, uma "carta de amor" aos fãs desta mascote. É mesmo das melhores formas de poder experienciar este título dos anos 90 em plataformas contemporâneas. Para além das melhorias e ajustes necessários para evitar frustações desnecessárias, o jogo continua a ser um desafio para gente crescida. O conteúdo bónus e a forma como é apresentado através da sua "user interface" é também um ponto positivo, principalmente para quem se interessa em ter um pedaço de História no seu espólio de videojogos. A mudança de banda sonora é praticamente a única "pedra no sapato" e pode estragar a experiência para quem pretende revisitar este título.