A saga Dynasty tem sido, ao longo dos anos, uma referência para quem aprecia a vida medieval em formato sandbox. Títulos como Medieval Dynasty ou Wild West Dynasty (este a meu ver é horrendo) marcaram pela forma como nos colocam no centro da construção de um mundo, onde a sobrevivência e a gestão de recursos andam de mãos dadas com uma liberdade quase terapêutica. Agora, com Sengoku Dynasty, essa fórmula atravessa continentes e leva-nos ao Japão feudal, trazendo uma lufada de ar fresco ao legado da série. As bases são as mesmas, mas com algumas novidades.

Sengoku Dynasty foi desenvolvido de raiz com o Unreal Engine 5 e com o modo cooperativo multijogador em mente, algo que representa uma grande evolução técnica e de ambição para a série. Infelizmente, na cópia que nos foi cedida para análise, não nos foi possível testar essa componente que se encontra desactivada. Ainda assim, é um aspecto promissor que pode elevar bastante a experiência, especialmente para quem sempre sonhou em construir uma aldeia lado a lado com amigos.

A saga Dynasty brilha especialmente na forma como mistura géneros. É ao mesmo tempo um jogo de sobrevivência, um city builder e um RPG, onde cada decisão tem impacto directo na evolução da tua aldeia e neste título em específico; na reputação do teu clã. A sensação de progresso é gratificante — começar com um pequeno abrigo de madeira e ver, horas depois, uma vila florescente com mercados, templos e campos de cultivo, é o tipo de experiência que a série sempre soube entregar bem. Em Sengoku não é diferente. Enquanto Medieval Dynasty é um jogo completo, que recebe apenas pequenas actualizações de qualidade de vida e expansões adicionais, Sengoku Dynasty ainda está em fase de evolução, com várias mecânicas a serem moldadas diretamente pelo feedback da comunidade. Esperamos que não fique por aqui.

A começar pela estrutura narrativa da Toplitz neste mais recente título da saga, que assume um peso muito maior. Em vez de uma experiência puramente sandbox, Sengoku Dynasty introduz uma história bem mais elaborada, com personagens com passado, ambições políticas e escolhas que influenciam o desenrolar dos acontecimentos. Há um claro foco em criar um mundo mais vivo, onde as relações sociais têm peso real, tanto na tua aldeia como nas interações com clãs rivais. Algumas histórias são contadas de uma forma elaborada; já outras têm o peso que em Medieval Dinasty tinham; estar ali só por estar.

Algo que adorei logo mal iniciei este título, foram as mudanças no sistema de armazenamento. Agora, tudo é mais eficiente; podes construir usando recursos na reserva da aldeia, sem precisar de os carregar no inventário; algo extremamente penoso que me saturava em Medieval Dinasty. Os camponeses não têm habilidades definidas e trabalham indiferentemente em todas as tarefas, o que simplifica a toda esta microgestão.

Apesar de existir o combate, algo também aprimorado tendo em conta o setup onde se passa o jogo e as guerras de clãs, continuo a achar que o foco principal de Sengoku Dynasty ainda está agarrado às suas bases; simulação e construção. O combate é bastante limitado, e até arcaico. Ainda assim, há espaço para experimentação e bastante conteúdo para explorar especialmente até atingires uma população de cerca de 40 habitantes. A partir daí, o jogo mostra as suas limitações, pois muitos sistemas ainda não estão preparados para uma escala tão grande, e que o diga a Playstation 5, que não se aguenta como deveria aguentar. Uma fraca optimização a ser melhorada.

Uma diferença curiosa está no sistema de produção. Em Medieval Dynasty, tudo funciona em tempo real, com ciclos contínuos. Já em Sengoku Dynasty, a produção é feita por ciclos diários, sempre com hora marcada, o que dá tempo ao jogador para organizar tudo durante o dia. Este sistema mais táctico permite uma gestão mais controlada, apesar de ainda obrigar a muito trabalho manual, seja nas reservas de recursos ou na criação de ferramentas. Mas quem domina bem os sistemas e receitas do jogo vai conseguir automatizar praticamente tudo e criar uma aldeia autossuficiente com relativa facilidade.

O mapa de Sengoku Dynasty é ligeiramente mais pequeno, mas há zonas por revelar que estão guardadas para futuras actualizações. Tem no entanto zonas secretas que te convidam à exploração. Podes contar com algumas surpresas. Vale a pena explorar, até porque a ambientação japonesa é sempre muito rica e imersiva, e neste título não é diferente. A espiritualidade e o contexto cultural tem peso real no jogo — oferendas, templos, nomes de aldeias e NPCs ambientados na cultura local criam uma experiência super envolvente e que vale o teu tempo caso sejas fã da história e cultura nipónica.

No que toca aos comandos na versão PS5, Sengoku Dynasty surpreende pela positiva, mas não é a primeira vez que o faz. Tal como em Medieval Dynasty, à primeira vista, a quantidade de menus, atalhos e acções pode parecer algo intimidante especialmente para quem vem de jogos mais lineares. No entanto, bastam algumas horas para que tudo se torne natural e fluido, com os atalhos bem distribuídos e os gestos contextuais a responderem de forma rápida e eficaz. A desenvolvedora já nos habituou a um bom trabalho neste campo, e aqui acerta novamente em cheio. Explorar, construir e gerir a aldeia com o comando torna-se uma experiência confortável e responsiva, o que nem sempre é garantido em jogos de simulação pensados originalmente para PC.

No final de contas, Sengoku Dynasty ainda não é o jogo definitivo da saga, mas está no bom caminho para lá chegar. Apesar das falhas de optimização e de alguns sistemas que precisam de ser afinados, o que aqui encontramos já é mais do que suficiente para garantir dezenas de horas de um jogo envolvente e gratificante. A base está bem construída, o potencial é enorme e a ambientação japonesa dá-lhe um charme muito próprio. Se gostaste de Medieval Dynasty ou se tens curiosidade pelo Japão feudal, este é um título que merece a tua atenção, especialmente porque ainda está a crescer, com espaço e vontade para melhorar.

Agradecemos à Games Branding por nos terem cedido uma cópia digital do jogo para Playstation 5.


Esta foi mais uma bit-nálise, análise tão curta que nem um bit ocupa. Em baixo podes contar com a ficha técnica:

Nome e Preço: Sengoku Dinasty – 29.99€

DLC e Preço: Expansões gratuitas ao longo do tempo

Desenvolvedor: Superkami

Editora: Toplitz Productions

Metacritic: Sengoku Dinasty (versão PC)

HowLongToBeat: Indefinido

Testado numa: Playstation 5

Igor Gonçalves
Curioso, explorador, e fã de videojogos desde que me lembro, e em especial pela saga Metal Gear. Não jogo plataformas, jogo jogos.