I Hate This Place, desenvolvido pela Rock Square Thunder e publicado pela Feardemic, é um título survival horror que tenta destacar-se não tanto pela inovação mecânica, mas sobretudo pela sua identidade estética e atmosfera muito própria. Inspirado nos comics do mesmo nome de Kyle Starks, o jogo aposta forte numa estranha e desconfortável vibe anos 80, que mistura terror, mistério e uma sensação constante de que algo não está bem, mesmo quando aparentemente nada acontece.
A nível de jogabilidade, estamos perante uma mistura clara de survival clássico com sistemas de crafting. O jogador tem de gerir necessidades básicas como comida, criar armas improvisadas, produzir medicina, preparar alimentos e até desenvolver uma pequena farm para garantir recursos. Tudo isto é complementado por um sistema de quests simples, que nos vai empurrando para a frente numa narrativa relativamente curta, mas inicialmente envolvente. O problema é que, apesar de começar de forma empolgante, o loop de jogo acaba por se tornar repetitivo, perdendo impacto à medida que as horas passam.
A história é simples mas funcional para ser usada como pano de fundo. A nossa protagonista, acompanhada por uma amiga, vai até ao rancho isolado da tia à procura de respostas sobre o desaparecimento misterioso da sua mãe. Rapidamente, as coisas descambam quando essa mesma amiga também desaparece, dando início a uma sucessão de acontecimentos estranhos, perigos constantes e um mistério que sustenta a progressão. Não é uma narrativa profunda, mas cumpre o seu papel e encaixa bem no tom do jogo.
Visualmente, I Hate This Place é onde mais brilha. O estilo inspirado em banda desenhada está muito bem conseguido, com efeitos visuais típicos dos comics, como onomatopeias visuais durante disparos, movimentos ou destruição de objectos: os clássicos clack, crash e semelhantes enquanto realizamos algumas acções. É um detalhe estético que resulta surpreendentemente bem e ajuda a criar uma identidade própria.
O jogo mistura combate com momentos de investigação, embora estas secções investigativas sejam, por vezes, aborrecidas e até confusas, quebrando o ritmo da experiência. Já o combate é funcional, sem grande profundidade, mas suficiente para manter a tensão, especialmente devido à fragilidade constante da personagem.
Um ponto curioso e positivo, é a ausência de autosaves. O jogador tem de salvar manualmente, o que aumenta a tensão e obriga a uma abordagem mais cautelosa. Num jogo que quer provocar ansiedade e desconforto, esta decisão faz todo o sentido e acaba por reforçar o compromisso com cada progresso feito.
Infelizmente, na PS5, o desempenho deixa bastante a desejar. O jogo corre mal, com quebras de fluidez e bugs que, em alguns casos, obrigam a voltar ao último save. São problemas que provavelmente serão corrigidos no lançamento, mas a fraca optimização é evidente e chega a causar algum cansaço visual e algumas dores de cabeça.
A banda sonora não é particularmente memorável, mas a atmosfera geral transmite claramente uma sensação à la Stranger Things, muito graças à estética e à inspiração nos anos 80. A campanha dura entre 8 a 10 horas, embora seja fácil esticar mais algumas se explorares tudo com calma.
No final, I Hate This Place é um jogo com boas ideias, uma identidade visual forte e uma atmosfera interessante, mas que acaba por não conseguir manter o entusiasmo até ao fim. É uma experiência competente, mas irregular, que vai agradar sobretudo a fãs de survival horror e crafting com paciência para os seus defeitos.
Esta foi mais uma bit-nálise, análise tão curta que nem um bit ocupa. Em baixo podes contar com a ficha técnica:
Nome: I Hate This Place
Desenvolvedor: Rock Square Thunder
Editora: Feardemic
Metacritic: Sem Score ainda
HowLongToBeat: 10 Horas aprox.
Conquistas: Ainda não estão disponíveis
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series, Nintendo Switch
Agradecimentos: Obrigado à editora pela cedência de uma chave para bit-nálise
































