Há um misto de um brilho especial e um sentimento de nostalgia sempre que vejo uma colectânea de jogos arcade, a serem anunciados para as consolas caseiras, e Marvel vs Capcom Fighting Collection não é apenas uma colectânea, muito mais que isso. Trata-se de uma carta de amor aos fãs dos jogos de luta, de algumas das melhores obras já feitas até a data.
São seis títulos clássicos de luta através de uma jornada nostálgica, onde tudo fica do lado, à excepção do que interessa; a diversão do jogador. Como bónus, ainda recebemos o primeiro título da parceria entre a Marvel e a Capcom, com The Punisher, um beat ’em up que nunca tinha jogado, e que me deixou espantado pela sua qualidade, tendo em conta o seu ano de lançamento (1993).
Voltando aos títulos principais e às suas alterações, começo por dizer que é impressionante como eu nunca tinha jogado alguns deles, e mesmo assim é como se tivesse aquela sensação do jogo ter sido lançado recentemente, tal é a qualidade dos sprites e da resposta dos combos. Comecemos com X-Men: Children of the Atom, lançado em 1994, o pioneiro da saga versus, e um jogo baseado em Street Fighter 2. São 13 personagens jogáveis, com uma jogabilidade muito prazerosa mas com um desbalanceamento enorme entre personagens.
Dois anos depois chegaram Marvel Super Heroes e X-Men vs Street Fighter, ambos em 1996. Este primeiro não é o meu jogo favorito, no entanto foi o que lhe meti mais horas, por incrível que possa parecer. É uma evolução significativa de Children of the Atom, e um título espetacular que nos introduz pela primeira vez personagens como Spider Man ou até o Thanos. Já X-Men vs Street Fighter introduz os elementos tag-team aos jogos de luta em 2D. Este elemento aprofunda a jogabilidade, permitindo que possas colocar um lutador com mais pontos de vida em jogo quando o outro personagem está com pouca saúde. Além disso, lutadores feridos e marcados podem recuperar parcialmente a saúde quando descansam fora da arena. Outra das novidades incríveis para a época, era deixar a super barra completamente carregada, e ver uma combinação entre os dois personagens num movimento incrível; isto valendo para todas as combinações de personagens.
Um ano mais tarde, surge Marvel Super Heroes vs Street Fighter. Se jogaste algum dos anteriores, não notarás grandes diferenças aqui. Tudo está presente, desde os Super Jumps aos movimentos tag-team. A introdução de novos elementos na jogabilidade passou pela presença do parceiro em combate que volta e meia gosta deixar a sua piada com uma boa patada aérea, largar um special e voltar para fora da arena novamente.

Mas o néctar desta colectânea está claramente em Marvel vs. Capcom: Clash of Super Heroes (1998) e Marvel vs. Capcom 2: New Age of Heroes (2000), com este a destacar-se por muito. Tudo aqui é perfeito: a jogabilidade, a inclusão de um 3 para 3, um incrível elenco de 56 personagens e os hyper-combos, e a sua incrível banda sonora. Não há combinação mais perfeita que uma soundtrack jazz e jogos. Resulta em todos os estilos.
Todos estes jogos contam com algumas melhorias, como a maneira fácil de desbloquear persoangens, suavidade nas animações, possibilidade de redução do screen flashing, e até alterações no número de arenas. De resto, tudo está intocável, e continua na perfeição dos anos 90.
Além de conseguires alternar entre a versão Japonesa e Inglesa, podes também aceder ao modo de treino com as famosas caixas hitbox para te ajudar nas combinações e até opções rollback netcode, que te ajudarão nas partidas online porque sim, todos os jogos desta colectânea têm online, até o The Punisher. Um autêntico sonho para qualquer puto que cresceu nas arcadas. Cada jogo tem também o museu, carregado de arte digital como ilustrações e bandas sonoras de cada um dos projectos. Tal como as colectâneas mais recentes, também está presente nesta compilação um quick save para voltares logo à acção depois daquele golpe que não contavas (faz parte), ou caso tenhas de sair à pressa para fazer algo. E se fores saudosista e imaginares aquele filtro CRT que tantas memórias nos deu, até filtros de imagem terás para recrear essa experiência nostálgica. Não falta personalização.
Os anos 90 tinham outro resplendor no desenvolvimento de jogos, e é impressionante como qualquer um destes títulos se encaixa tão bem em 2024, aproximadamente 30 anos depois. É um jogo obrigatório para qualquer fã de fighting games principalmente se gostarem do estilo mais arcada, rápido e feroz. Sem dúvida, terão aqui um prato cheio e muito para explorar, e o mais importante, diversão.
Agradecemos à Ecoplay por nos ter cedido esta chave para análise, para a plataforma PS5.































