Antes de falarmos dos coelhos nos jogos, vamos tentar entender uma coisa: por que cargas d’água o mascote da Páscoa é um coelho? A origem vem de tradições bem antigas. O coelho sempre foi símbolo de fertilidade e renovação, muito pela sua eficiência reprodutiva. Nas celebrações pagãs ligadas à primavera no hemisfério norte, estes orelhudos eram associados à deusa Ostara, que representava o renascimento da natureza.

Com o tempo, essas tradições misturaram-se com os costumes cristãos da Páscoa, que também celebra um renascimento, neste caso, o de Jesus. A lenda do Coelho da Páscoa como conhecemos hoje começou a ganhar forma entre os séculos XVII e XVIII, na Alemanha. Imigrantes Alemães levaram a história para os EUA, onde virou tradição: um coelho que escondia ovos coloridos para as crianças encontrarem. Daí para a frente, já sabemos a importância do coelho nesta celebração.

Portanto, a época da Páscoa chegou e, com ela, a desculpa perfeita para abordarmos este tema de uma espécie sempre muito subestimada não só no mundo dos videojogos: os coelhos. Sempre vistos como uns seres fofuchos e indefesos, os gamers esquecem-se que estes orelhudos saltitantes já foram protagonistas de aventuras épicas, sidekicks carismáticos, e imaginem; até vilões caóticos.

Abaixo, em tom de brincadeira e comemoração desta época especial, destaco alguns dos coelhos mais importantes (mas sobretudo marcantes) na indústria dos videojogos:

Jazz Jackrabbit

A malta que nasceu nos anos 80 e teve a oportunidade de jogar isto logo no início dos 90’s, passa-se com este começo de artigo! Estamos a falar do coelho mais badass da indústria. Jazz, era basicamente um Sonic, mas com armas e um aspecto que mesclava um commando como um astronauta.

Verde, cheio de atitude e estilo, este orelhudo protagonizou jogos de plataforma frenéticos no PC, cheios de fases psicadélicas, velocidade supersónica e com muitos inimigos a caírem diante os seus pés. Não tive a chance de o jogar, mas ficava sempre passado quando via o meu primo a jogar isto no seu Windows 98. Falamos de um verdadeiro símbolo da era shareware. Se cresceste a jogar com disquetes, este coelho provavelmente fez parte da tua infância e adolescência gamer.


Rabbids

BWAAAH! BWAAAH! – Há quem os ache irritantes, e de facto até o são. Os Rabbids tem o seu encanto, e mesmo tendo começado como um spin-off de Rayman, viraram super estrelas e febre mundial, garantindo até participação especial com o colosso Super Mario e os seus companheiros.

Os Rabbids são, essencialmente, a personificação digital do caos. São coelhos brancos com olhos esbugalhados, dentes de castor, e um grito agudo característico à sua imagem caótica. Eles não têm um plano, simplesmente existem. São imprevisíveis, hiperativos, e fazem as coisas mais sem noção possíveis, só porque podem.


Peppy Hare

Veterano e mentor da equipa Star Fox, Peppy é mais do que um simples coelho, é um piloto espacial. Sábio, leal e cheio de frases motivacionais, falamos de um ícone que surgiu nos tempos da Nintendo 64, Peppy Hare é um dos personagens mais marcantes da série Star Fox, e uma lenda entre os fãs da franquia.

Não podia faltar neste artigo, até por ser o anti-estereótipo do coelhinho fofo; falamos de um verdadeiro guerreiro estelar, e carrega o peso da responsabilidade e da experiência.


Max

Uma dupla de sonho, mas o Sam que me perdoe, hoje a estrela é o Max.

Se não fossem os Rabbids, diria que estavamos a falar do coelho mais louco dos videojogos. Max é a metade da dupla Sam & Max, uma série de jogos que marcou época com seu humor negro, nonsense e referências afiadas. Enquanto Sam é um cão detetive tranquilo e metódico, Max é o completo oposto: um coelho hiperativo, imprevisível, com tendências levemente homicidas e piadas que atravessam qualquer linha do bom senso.

Falamos de um “coelho detetive-freelancer”, com licença para resolver casos da forma menos convencional possível, normalmente envolvendo explosões, interrogatórios duvidosos, muita conversa absurda. Ele não respeita leis da física, da moral ou da sanidade; talvez seja por isso mesmo que os fãs o amam.


Rayton

Desafio qualquer um destes leitores a encontrar um coelho mais badass que este. Veterano de guerra, armado com um punho robótico gigante, perseguido por um governo opressor e controlado por máquinas, e mesmo assim consegue ser temido, como nenhum outro desta lista o fez.

Rayton é o personagem principal em F.I.S.T.: Forged In Shadow Torch. Este é um antigo combatente da Resistência que não conseguiu impedir a invasão da Legião Robótica e que tentava viver uma vida tranquila nos arredores da cidade.

A memória da sua derrota ainda deixa uma profunda cicatriz no coração de Rayton. No entanto, perante a dominação cada vez mais rígida da Legião Robótica, ele equipa o seu punho e reacende a sua alma como um herói de batalha.


Loporrits

Não falo de um coelho em específico, mas uma espécie. Educados e formais, socialmente estranhos mas muito fofos, os Loporrits são criaturas que vivem na Lua, e foram criados por entidades pelos Ancients para preparar o planeta para uma possível fuga da humanidade.

São altamente inteligentes, e dominam tecnologia avançada e apesar da sua aparência fofa e comportamento quase infantil, os Loporrits desempenham um papel crucial na narrativa de Final Fantasy XIV: Endwalker, representando a preparação racional e fria para um possível fim da humanidade tal como mencionei anteriormente. Esta dualidade entre a sua estética adorável e a gravidade da sua missão cria um contraste interessante, tornando-os personagens memoráveis e únicos dentro do universo do jogo.

Além disso, os Loporrits destacam-se como uma representação diferente dos coelhos nos videojogos: em vez de guerreiros ou mascotes, como já vimos nesta lista, são cuidadores e planeadores do futuro, simbolizando esperança, continuidade e adaptação. A sua origem ligada a entidades divinas e o seu comportamento quase ingénuo reforçam a ideia de que são mais do que simples criaturas; são ferramentas criadas para garantir a sobrevivência da civilização.


Bugs Bunny

Calma, calma leitor! Eu sei que já me estás a julgar: o Bugs Bunny não nasceu nos videojogos… mas tornou-se tão grande e icónico que é simplesmente impossível não o trazer para esta conversa.

Criado originalmente para os desenhos animados da Warner Bros, Bugs Bunny rapidamente saltou para o mundo dos videojogos, onde protagonizou vários títulos ao longo das décadas. A sua personalidade irreverente, inteligente e provocadora, faz com que esteja sempre um passo à frente dos inimigos, e encaixou perfeitamente neste formato interactivo, tornando-o num dos coelhos mais reconhecidos também neste meio.

Ao contrário da maioria de personagens desta lista, Bugs Bunny representa o lado clássico e humorístico dos coelhos nos videojogos. Ele não é um guerreiro nem uma figura mística, é um trapaceiro carismático que resolve tudo com astúcia e sarcasmo. Essa versatilidade ajudou a consolidá-lo como uma ponte entre o cinema de animação e os videojogos, garantindo-lhe um lugar incontornável em qualquer lista de coelhos icónicos. Já para não falar em alguns jogos muito bons da série, como Bugs Bunny Crazy Castle e Bugs Bunny: Lost in Time.


Vibri

O Vibri não é tão influente, mas é o último slot que tinha disponível para esta lista, e curiosamente, é o protagonista de um dos primeiros jogos que tive contacto na PS1, Vib-Ribbon. Este coelho minimalista é feito apenas de linhas simples, mas tem uma identidade única que o tornou memorável e me traz muita nostalgia.

Vibri vive num mundo abstracto gerado pela própria música do jogo, onde os obstáculos aparecem ao ritmo da faixa que está a tocar. Em vez de combate ou narrativa tradicional, o foco está na sincronização, reflexos e ritmo, tornando-o num dos conceitos mais criativos e experimentais associados a um coelho.

Até hoje, não sabemos muito sobre a personagem já que não deve ter sido um grande sucesso em vendas que permitisse a sua continuidade, e como tal, praticamente não existe nada de lore sobre este coelho minimalista. É uma pena; quem sabe um dia não contaremos com ele num futuro Playstation All Stars. Sonhar não custa.


Não trouxe o teu coelho favorito? Arruinei a tua Páscoa? Não fiques assim, diz-me qual é o coelho aqui em falta, e talvez o coloque antes das festividades! Feliz Páscoa!

Igor Gonçalves
Curioso, explorador, e fã de videojogos desde que me lembro, e em especial pela saga Metal Gear. Não jogo plataformas, jogo jogos.