The Academy’s Sashimi Sword Master é o tipo de manhwa que parece ter nascido de uma pergunta feita às três da manhã: “E se um chef de sashimi fosse parar a uma academia num mundo RPG… e resolvesse tudo com uma faca de cozinha?” A pergunta é estranha, a resposta é ainda mais — e, surpreendentemente, funciona durante mais tempo do que seria razoável esperar.

A obra, criada por GMAN com colaboração de Tang Ahulu, nasce no ecossistema habitual da web novel coreana antes de ganhar forma em webtoon, já pensada para leitura rápida, impacto imediato e circulação global. E nota-se. Tudo aqui é calibrado para prender o leitor nos primeiros capítulos: o conceito excêntrico, elenco deslumbrante, protagonista inexplicavelmente competente e um mundo que parece existir sobretudo para lhe dar palco. É um modelo bem oleado, quase industrial, que nos recorda Kishuku Gakkou no Juliet, mas que sabe esconder a maquinaria com algum charme.

O protagonista — um ex-chef transportado para um mundo de fantasia académica — traz consigo uma bênção tão absurda quanto conveniente: à semelhança de Sung Jinwoo em Solo Leveling, Kim recebe a beção do Deus da Espada que o incobe de lutar com uma faca de sashimi. Sim, uma faca de sashimi. O que podia ser apenas uma piada esticada transforma-se no eixo narrativo da obra, usado tanto para ação como para humor. Durante algum tempo, resulta. Há algo genuinamente divertido em ver um universo que leva espadas mágicas muito a sério ser desarmado por utensílios de cozinha.

O problema é que, como acontece com muitos manhwas do género, a piada começa a repetir-se. A progressão de poder surge cedo, o protagonista torna-se rapidamente superior ao ambiente que o rodeia e as personagens secundárias orbitam à sua volta com diferentes níveis de entusiasmo pouco credível. O elemento harem aparece sem grande subtileza, e a narrativa, que podia explorar melhor o choque cultural ou psicológico do protagonista, opta quase sempre pelo caminho mais fácil.

Ainda assim, seria injusto dizer que a obra não sabe o que está a fazer. The Academy’s Sashimi Sword Master joga deliberadamente com os clichés do género — academias competitivas, rankings implícitos, rivalidades previsíveis — e fá-lo com um certo piscar de olho ao leitor. Não tenta ser Solo Leveling, nem alcançar a densidade narrativa de The Novel’s Extra ou a ambição estrutural de Tower of God. O seu território é outro: o da fantasia ligeira, autoconsciente, que prefere entreter do que impressionar.

A arte acompanha essa filosofia. Funcional, clara e suficientemente expressiva, nunca rouba a cena, mas também nunca a estraga. As cenas de ação são legíveis, os enquadramentos cumprem, e o humor visual aparece nos momentos certos. Não há aqui grandes riscos artísticos, mas há consistência — algo que, no panorama atual, já conta pontos, e ainda para mais, relembra-me o art style de Rui Komatsuzaki.

A receção do público reflete bem esta dualidade. Há leitores que elogiam a leveza, o ritmo e a criatividade da premissa, considerando-o um “guilty pleasure” bem assumido. Outros cansam-se rapidamente da repetição, do desenvolvimento superficial das personagens e da sensação de que a história anda em círculos confortáveis. Ambos têm razão. Este é um manhwa que vive da sua ideia central e sofre quando tenta esticá-la além do razoável.

No grande buffet dos manhwas de academia e fantasia, The Academy’s Sashimi Sword Master não é o prato principal, nem tenta ser um digestivo. É aquele acompanhamento estranho que ninguém pediu, mas que acaba por ser curioso de provar. Não vai mudar o género, nem pretende fazê-lo, mas oferece entretenimento suficiente para quem gosta de conceitos estranhos, protagonistas competentes e histórias que não se levam demasiado a sério.
No fim, fica a sensação de que esta obra sabe exatamente o que é: uma piada bem executada que dura mais do que o esperado. E às vezes, no meio de tantos títulos que se levam demasiado a sério, isso é quase refrescante de se acompanhar.




























