Já lá vão mais de 25 anos desde que a saga Star Ocean nasceu, na já longínqua SNES. Tudo começou quando a Wolfteam, uma equipa da Namco, criou Tales of Phantasia. Pouco depois do lançamento, houve uma divergência na equipa e muitos elementos saíram e formaram uma nova companhia, Tri-Ace, que teria Star Ocean como o seu primeiro jogo (baseando-se muito na experiência que foi Tales of Phantasia).

Apesar de ter sido um jogo relativamente revolucionário, acabou por ter o mesmo destino que a maioria dos (J)RPG da época: ficar por território nipónico. Só seria em 2008, com o lançamento de Star Ocean First Departure, um remake total do jogo original, que o Ocidente pôde deitar as mãos a esta primeira entrega, lançada apenas na PSP.

Star Ocean: First Departure R é, nada mais, nada menos, que um remaster desse remake da versão PSP, com alguns extras, sendo o seu principal aliciante o ficar disponível nas consolas atuais (e muito em breve ter toda a saga principal disponível no ecossistema Playstation).

Com o lançamento, em novembro de 2023, do remake da segunda aventura, achei interessante deixar aqui a sua opinião sobre esta entrega e, com sorte, dar a conhecer ainda mais esta fantástica saga.

Estás preparado para o futuro Star Ocean The Second Story R?

E então, é Star Ocean First Departure R um bom jogo? Será a melhor forma de se introduzirem na saga? Venham descobrir.

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O esperado início de uma aventura tal como da saga Star Ocean

Narrativa

Estamos no ano S.D 346, no vasto universo, onde uma extensa guerra se continua a propagar entre forças opostas pelo universo. No pacato planeta Roak, Roddick, Millie e Dorne continuam nas suas rotinas normais, bem aborrecidas (segundo eles), onde nada acontece, dia após dia, após dia…

Ora certo dia, depois de uma pequena disputa no seu povo, uma misteriosa doença começa a afetar a povoação vizinha. Rapidamente compreendem que se trata de uma doença contagiosa, que transforma o afetado numa estátua de pedra, ficando Dorne infetado. Na busca por uma cura, dão-se de caras com uns desconhecidos mediante um raio de luz, como se de deuses se tratassem. Ficamos a conhecer Ronyx, J. Kenny e Ilia Silvestri, membros da Earth Federation, uma aliança terrestre muito, mas muito mais avançada tecnologicamente, que estão a investigar a misteriosa doença no planeta Roak. É então revelado que se trata de um vírus espalhado pela força que se opõe à Earth Federation. Por forma a salvar não apenas Dorne como o seu planeta, Roddick e Millie juntam-se a Ronyx e Illia numa busca pelo paciente zero, Asmodeus o rei demónio, que existiu à 300 anos, envolvendo-se numa viagem, não apenas pelo universo como pelo tempo em si.

Algo que desilude é o pouco enfoque dado à parte espacial, com exceção do início e da parte final da aventura. Também não apreciei como, logo após as horas iniciais, a história perde um pouco a sua linha condutora (salvar o mundo de Roak da doença que a afeta) e o obrigar-nos, por diversas vezes, a voltar a locais já visitados. Com exceção das horas iniciais, a primeira metade da história deixa algo a desejar.

Uma das principais características da saga são as private actions, ações onde, nas povoações, podes ver cenas secundárias dos vários personagens que te acompanham. Dependendo de onde estás e quem recrutaste, terás muitas destas cenas, espalhadas por todo o jogo. Não é fácil conseguir vê-las todas, uma vez que, não apenas terás que estar constantemente a ir de uma localidade a outra, como tens que ter certas combinações de personagens contigo. Estas cenas são diversificadas e, por norma, muito divertidas, mas também com alguma que outra mais emocionante que complementam a história principal muito bem, conferindo profundidade aos personagens principais. E pontos para a Square Enix por também dar voice acting em todos estes momentos.

As personagens que encontrarás são os típicos personagens do género, muito do estilo anime. Existem diversos personagens que se podem unir à equipa, contudo esta é constituída até ao máximo de 8 personagens, logo, além dos 4 principais, Rodick, Millie, Ronyx e Ilia, podes escolher outros 4 de uma lista de 9. Alguns são bem complicados de recrutar, havendo condições a cumprir (se recrutas tal personagem não podes recrutar aquele outro, etc).

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A história principal tem uma duração de 20 horas, prolongando-se muito mais se desejarmos recrutar todos os personagens, ver novas cenas tanto das private actions como dos endings (existem diversos “mini” finais dependendo da relação entre os personagens). Os textos estão em inglês.

Jogabilidade

Estamos perante um action RPG em que os encontros se dão de forma aleatória. Temos 4 membros em combate, numa “arena” em que te podes mover em 3D. No geral, o combate é ágil e divertido, até que começas a utilizar muitos feitiços. Um dos problemas que tem é o facto de a maioria dos feitiços que são usados, congelarem a ação enquanto a animação acontece, tendo algumas uma duração elevada. Isto acaba, muitas vezes, por quebrar o ritmo de combate. Este problema era algo muito frequente nestes primeiros RPGs em tempo real. Neste combate podemos usar um ataque regular e ataques especiais e/ou feitiços. Apenas temos 2 botões de acessos rápidos em combate a esses ataques especiais, limitando muito as nossas escolhas, sem ter que pausar a ação do combate, sendo algo que acho que podiam ter tocado neste remaster. É possível também modificar a I.A dos companheiros e os ataques especiais que podem ou não usar (se bem que em alguns casos, não conseguia estar satisfeito com nenhuma das opções fornecidas). Também temos os diversos objetos que podemos usar. Temos os típicos níveis, sistema de equipamento clássico, etc.

O que faz destacar Star Ocean First Departure R de outros RPGs (além da sua temática espacial) é o seu sistema Skills. O sistema Skills permite personalizar o combate/experiência de jogo a diversos níveis. Ganhamos skill points ao subir de nível e ao cumprir certas ações durante o jogo. Vais gastando as skill points nas habilidades que te apetecer. Existem aquelas que sobem as características dos personagens e outras para ter acessos a diversos tipos de vantagens fora de combate, como fazer alquimia, identificar objetos, aumentar ou diminuir os combates aleatórios, criação de diversos objetos, etc. Temos neste sistema o learn skills, item creation, specialization e super specialization. As possibilidades são gigantescas.

Um ponto negativo, não apenas neste último aspeto, mas no jogo em geral, é a falta de qualquer tipo de tutorial, simplesmente não existe. É comum muitas pessoas não saberem que existem certos tipos de funções, especialmente tudo o ligado às diversas funções do separador das habilidades. Temos um mapa-mundo que podia ter sido mais aproveitado, com muitos espaços vazios, ainda assim com alguns segredos. Certas habilidades, por exemplo, permitem que consigamos deslocar-nos muito mais rápido por este, ao pedir ajuda. A quantidade de objetos e a sua combinação é fantástica, contudo, novamente, andei sempre muito perdido sem uma guia ao pé pela “complexidade” e falta de tutoriais. A dificuldade foi ajustada ligeiramente em relação à versão da PSP, que pessoalmente considerava demasiado fácil.

Gráficos

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Algumas paisagens de cortar a respiração a magia dos cenários pré renderizados

O estilo visual utilizado foi o mesmo que o usado no segundo jogo Star Ocean The Second Story. Mais que o mesmo estilo, eles usaram tudo o usado nesse jogo, desde a vertente visual até à jogabilidade como base para este jogo (numa palavra mais feia, uma espécie de copy paste). Ora isto não me parece mau, ou seja, fazer um remake do 1 jogo usando a evolução vista e introduzida na segunda entrega. O que aconteceu foi que Star Ocean First Departure perdeu parte da sua personalidade. 

Encontramos belíssimos cenários pré-renderizados com fantásticos trabalhos de sprites para os personagens e monstros, com muitas animações. Temos também um mapa-mundo 3D que não impressiona muito. Gostaria de ter visto uma maior diversidade no desenho de monstros, que acabam por se repetir, logo desde muito cedo no jogo. Relativamente aos locais, observam-se aldeias num estilo medieval, grandes florestas, grutas, paisagens nevadas, e claro, encontramos o tipo de cenários que faz destacar a saga, mais baseado nas space-opera, interior de naves espaciais ou instalações altamente avançadas a nível tecnológico, e não só. 

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Durante os diálogos os personagens têm uma arte que ajuda a expressar os seus sentimentos. Neste remaster foi criada uma nova arte, arte esta que vai mais ao encontro da usada no jogo original da versão da SNES, do que a criada na PSP. Podemos alterar a qualquer momento qual preferimos. Existem umas poucas cinemáticas em formato de anime que ajudam a dar ambientação à história. Estas usam a arte da versão PSP.

Som 

A música foi composta pelo veterano Motoi Sakuraba. Composta para o jogo original em 1996, aqui temos uma remasterização total, com uma ou outra novidade. O que aqui vão ouvir é algo que, de certeza já escutaram em muitas outras obras do maestro Sakuraba, mas isso em si não é mau. Acima de tudo recordar que este foi um dos jogos que o fez definir o seu estilo (tal como Tales of Phantasia o fez no ano anterior).

Gosto especialmente das músicas que compôs para as cidades/aldeias e, ao contrário do habitual, não tanto das suas composições para os temas de batalha. Temas como Sunny Place, Calm time e Sweet Time foram um prazer de se ouvir cada vez que entrava numa povoação. O tema de batalha normal, For Achieve, achei uma peça ótima na sua versão da SNES, mas não tanto nesta nova versão (aconselho sim a quem jogar, ouvir o remaster deste tema no 4.º jogo da série, algo digno de se ouvir). Temos ainda as dungeons que gostam de usar músicas mais rápidas, com um estilo eletrónico e algumas com toques mais sombrios.

É Motoi Sakuraba, creio que já sabem o que podem contar.

Uma das adições deste remaster é a possibilidade de escolher as vozes japonesas, contudo, não foi só isso que adicionaram. A Square foi buscar os atores que deram as vozes para os gritos de combate da entrega original e criou uma dobragem onde todos os diálogos dos personagens principais foram dobrados com esses atores, ou seja, têm à vossa escolha a dobragem em inglês e 2 em japonês, uma sendo a usada na PSP, e a nova usando os atores da SNES. Da minha parte, recomendo sempre as inglesas. Toda a história principal e maioria de cenas secundárias possui voz, o que é um grande trabalho de dobragem que fizeram no original da PSP. Os efeitos de som são pouco frequentes fora dos combates.

Novas características

Além da nova faixa de vozes em japonês, este remaster inclui uma nova arte para os personagens, que aparecem nas caixas de diálogos, um botão para correr mais rápido, uma pequena mudança nas características dos inimigos, um aumento de resolução e um framerate mais estável. Inclui um novo opening que substituiu o antigo (pessoalmente, achei um grande erro).

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Irão dar uma oportunidade à saga

Estamos perante um bom remaster que, mais que nada, vem dar acesso a esta aventura a um maior número de jogadores, mostrando o início de uma saga que, pessoalmente, adoro.

Star Ocean The Second Story R, por qual começo?

Com o lançamento do remake da segunda entrega, vem a grande questão. É necessário jogar esta entrega antes? Os jogos da saga são independentes, não necessitando terem jogado esta primeira. A principal conexão é que o protagonista de The Second Story é filho de um dos protagonistas desta entrega. Fora disso, além de alguma terminologia, não têm nada a temer e podem saltar diretamente para o Star Ocean que mais vos apetecer.

CONCLUSÃO
Experimenta!
8
Bruno Cavaco
Grande apaixonado pelo mundo dos videojogos, destacando a sua predileção por RPGs e jogos japoneses no geral. Licenciado em Gestão de Marketing, continua a planear o caminho que deve seguir. Um fã da Eurovisão dos pés à cabeça.
star-ocean-first-departure-rStar Ocean First Departure R é um remaster de um bom remake. As novas características introduzidas não justificam a compra para quem já o jogou, mas entrega uma melhor experiência, no geral, ao de bom que já existe. Uns visuais agradáveis, destacando os ambientes pré-renderizados, uma abundância de conteúdos jogáveis e a enorme quantidade de cenas dobradas são os seus principais pontos fortes. Por outro lado, a falta de enfoque na história principal e o constante "ir e vir" na primeira metade da aventura, pode fazer com que muitos não vejam o seu verdadeiro valor.